AMOR E REVOLUÇÃO: JESUS NASCE REVOLUCIONÁRIO
O cenário está criado: José e Maria num estábulo à espera do nascimento do filho, ali retidos porque as estradas estão bloqueadas pelo inimigo, quem sabe as tropas de Herodes. Assim o SBT, rede de televisão de Señor Abravanel, o filho de judeus gregos perseguidos no ambiente da Segunda Guerra que virou camelô no Brasil e, depois, tornou-se famoso como o animador de auditório Silvio Santos, agora anunciado como participante de uma igreja cristã evangélica, está dando os contornos finais de sua ousada, ainda que, de certo modo, precária novela “Amor e Revolução”, que está em seus últimos capítulos.
O personagem José Guerra, o major do Exército que desertou para juntar-se ao amor da estudante Maria Paixão e acabou aderindo à luta armada contra o regime militar brasileiro, ainda que isso signifique opô-lo ao seu pai, o General Guerra, e ao seu psicopata irmão Filinto, também oficial do Exército, está vivendo o drama de ver o seu filho com Maria nascer, sem qualquer assistência, cercado de burros e bois dentro de um estábulo, em sua fuga das forças de repressão.
Só falta mesmo o menino nascer, receber o nome de Jesus e depois receber presentes de três líderes de Estado em visita ao País, conduzidos ao esconderijo por uma estrela-guia.
A novela está construindo o Jesus revolucionário, uma ousadia. Apesar das limitações técnicas e até de elenco, “Amor e Revolução” conseguiu o que nenhum outro folhetim ousou até agora na dramaturgia brasileira: colocar o dedo, diretamente, na ferida do regime militar. A novela está entrando no ar sempre por volta das 22h30, quando há pouca coisa interessante para se ver na televisão.