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ARAKEN, UM VELHO AMIGO

18 de agosto de 2008

Araken Vaz Galvão entrou em minha história quando eu nem sabia, e eu invadi a história dele sem que ele mais esperasse o reconhecimento por sua participação na história da resistência ao arbítrio instalado no País a partir de 1964.

Digo isso para justificar a crônica dele, publicada no blog “O Lobo”, do Fausto Wolff, falando sobre mim, e que ora reproduzo aqui neste blog.

Quem quiser saber mais de Araken sugiro ler o livro “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura”. Era lá que estava esse personagem, quando eu era apenas uma criança em Alegre, e nem sabia dele. Quando nos encontramos, num São João de Valença-BA, há cerca de nove anos, para a entrevista que ajudaria a compor meu livro, foi amor à primeira vista – e imaginar que, naquele dia, a mulher dele não estava em casa.

Não confundam esse tipo de amor com a vulgaridade dos dias atuais. Tornamo-nos amigos, a despeito da diferença etária. Preocupamo-nos um com o outro, apesar de, para não fugir à minha sina aventureira, eu ter errado um cálculo de consumo de combustível quando viajávamos para Pão de Açúcar, onde visitaríamos Edival Mello, outro dos participantes da resistência, e tê-lo deixado, e à nossas esposas, a dele e a minha, à beira da estrada no sertão de Sergipe, sem gasolina.

Foi pelo menos divertido. Eu, correndo debaixo daquele sol escaldante para comprar gasolina pelo dobro do preço numa vilazinha próxima, e minha querida Euzi a cobrir-me da ira do velho guerrilheiro, distraindo-o com uma simpática corrida de formigas. O que seria de nós se não fossem nossas mulheres – depois da esposa, vem sempre uma filha a suprir nossas faltas!

Termino falando de Araken o que ele mais odeia que eu diga: infelizmente, Araken Vaz Galvão somente será reconhecido, como grande autor literário, depois que partir para o céu, como ele mesmo disse, embora ele não creia no céu – como Graciliano não acreditava, mas fez do céu a mais bela descrição que jamais li ao narrar a morte da cachorra Baleia em “Vidas Secas”.

Araken vai deixar escrita sua visão do inferno, com um toque de romantismo próprio de todo sertanejo.

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One Comment leave one →
  1. josecaldas permalink
    18 de agosto de 2008 22:42

    Caldas, fiquei ainda mais curiosa pra ler o livro e conhecer mais Araken….

    Monica Loureiro

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