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QUEREMOS MARTA NA SELEÇÃO

19 de agosto de 2008

Passei boa parte dos meus 35 anos de jornalismo militando na crônica esportiva. De algum tempo para cá, perdi o encanto. Passei a ter mais saudades do que esperança e isso tirou-me de campo. Mas ainda gosto dos esportes e me emociono ao ver o esforço de um Diego Hipólito, Jade, e tantos outros, para dar alguma alegria ao povo brasileiro com uma medalha olímpica.

Esse menino, o Cielo, trouxe-nos um pouco daquele sentimento que só tínhamos quando víamos o Senna no podium da Fórmula Um. Agora, não consigo encontrar a menor graça na Seleção de Dunga. Ele foi um grande guerreiro em campo, mas como técnico é uma invenção do Ricardo Teixeira, esse mineiro de Carlos Chagas que descobriu o futebol como meio de vida.

Sinceramente, não consigo ver graça nem mesmo nesses jogadores repatriados para vestir a camisa da Seleção. Mais uma vez, sinto mais saudades do que esperança. Adoro ler o Tostão, que joga com as palavras com a mesma facilidade e inteligência com que levava a marcação de todos os adversários para abrir espaço aos seus companheiros de equipe, sempre com muita dignidade. Jamais me esquecerei do gol da vitória brasileira sobre os ingleses na Copa de 70.

Ouvi de um novo amigo uma expressão bem emblemática, e que serve para definir o que vimos mais uma vez nos campos da China. Disse-me ele: “Não acredito em guerra de soldado pago”. E explicou que guerra tem que ser feita com patriotismo. Aplico à nossa Seleção e digo que para jogar nela tem que ser com patriotismo e não com má vontade ou, antes, vontade de aparecer para jogar na Europa e encher os bolsos de dinheiro – nada contra ganhar dinheiro, por favor.

Prefiro as meninas. Aquilo faz a gente sentir esperança. Estou escrevendo antes de ganharmos o ouro contra as americanas. Não quero nem saber o resultado da final. Marta, Cristiane, Daniela Alves, essas meninas já ganharam o ouro no coração dos brasileiros. Para dizer a verdade, na Seleção Masculina está faltando homens como essas meninas. Não no sentido do gênero sexual, mas da hombridade mesmo, que elas demonstraram de sobra. Quanto a eles… bem, os resultados falam por si.

Queremos Marta na Seleção Principal, Ricardo Teixeira.

José Caldas da Costa – jornalista, licenciado em Geografia, escritor

Vila Velha, ES, 19 de agosto de 2008

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