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JORNALISTA: DIPLOMA OU NÃO DIPLOMA

25 de junho de 2009

Tem gente muito melhor que eu para analisar esse tema, que tomou as rodas de discussão de jornalistas em todo o País, mas, principalmente, as salas de aula dos cursos de Comunicação. Mas, como o território é livre, vou dar um pitaco e aproveito para reproduzir um artigo muito mais brilhante do Celso Lungaretti, aqui mesmo no blog. Meu pitaco advém de minha própria experiência.

Quase nasci jornalista, graças às circunstâncias que me cercaram. Primeiro, vi a história passando diante de mim quando eu contava 7 anos de idade. Graças a isso, passei 30 anos de minha vida perseguindo essa notícia, transformada no premiado livro-reportagem “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura”.

Depois, minha mãe vivia lendo as revistas da época dela e ainda mostrava para nós, os filhos, o caderninho das críticas de cinema que ela escrevia, sempre, claro, abordando os filmes que assistira. Nada de não vi e não gostei. Ela sempre falava do que via. Peguei gosto pela leitura e aprendi a escrever assim, convivendo com os livros e com pessoas como Evandro Moreira, meu primeiro-mestre nas letras.

Tive duas oportunidades boas nos últimos dias de falar disso. Uma, publicamente, na generosa reportagem que a TV Assembléia (ES) fez comigo para o quadro “Personalidades”. Em breve, estará no ar. Outra, ao fazer minha participação esporádica no programa “Oportunidades”, do Guilherme Klaws, na TVE-ES. Nessa, enquanto aguardava o programa, conversei com as estagiárias de Comunicação, que queriam saber minha opinião sobre o fim da exigência de diploma. Devolvi a pergunta e ela disse: “Nos sentimos desrespeitados”. É um sentimento justo, para os estudantes.

Claro, querem minha opinião sobre o diploma. Eu nunca achei necessário diploma. O que acho necessário é a formação. Até porque nunca tive diploma de jornalista. Porém, aos 18 anos, já era Redator em A Tribuna, depois de 6 anos sendo formado no bico da bigorna. Mas a formação continuou. Passei 20 anos em bancos escolares e em torno dos livros, até colar grau em Geografia. Para mim, sempre foi importante o conhecimento e, ainda mais que isso, o conhecimento compartilhado.

Quando exerci funções de liderança, como na minha última passagem pelas Redações, estando por mais de cinco anos como editor, jamais deixei de ensinar aos mais jovens o que sabia. E, quando perguntavam a razão, eu sempre tinha a resposta na ponta da língua: primeiro, para chegar onde eu cheguei, terão que comer a poeira que comi; segundo, se provarem que são melhores do que eu naquilo que faço, têm mais é que ocupar mesmo meu lugar. Passo o chapéu.

Não preciso dizer que isso, a menos que alguém conteste, despertou nesses jornalistas mais jovens um certo respeito pela minha história muito mais do que temor do poder do chefe. Quando resolvi pedir demissão da função que ocupava, peguei de surpreenda o Diretor de Redação. O problema dele era quem exercer meu papel, mas dei-lhe uma boa notícia: nos últimos seis meses eu havia preparado uma pessoa, uma redatora, e ela estava pronta. Tanto estava pronta que foi mesmo a escolhida para meu lugar.

Sou a favor, sim, da formação superior para o jornalista, mas acho muito pouco o diploma de jornalismo para exercer a profissão. Felizmente, não há nenhum cartório para atestar sua capacidade humana em todos os sentidos. Penso que, mais do que diploma, o jornalista precisa ser, humanisticamente, evoluído para compreender a sociedade à qual servirá.

Em termos práticos, acho que o jornalista deveria ser formado na área de Humanas, preferencialmente, ou “Humatas”, ou “Humédicas”, e fazer residência de dois anos para tornar-se um profissional da área.

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  1. Celso Lungaretti permalink
    25 de junho de 2009 11:45

    Perfeito, meu caro Caldas. Só discordo quanto à residência. Técnicas jornalísticas se aprendem em dois meses, dois anos seria um exagero.

    Aliás, quando cursei a ECA/USP, já havia aprendido mais, na prática, do que os professores me ensinavam. Estava precisando do diploma para não ser explorado pelos patrões, mas já abrira meu caminho na profissão com a cara e a coragem.

    Na ECA, veja você, aprendi a diagramar com os tipos móveis do tempo do Gutemberg. A gráfica de lá ainda estava nesse estágio. Até os jornais de bairro já o tinham ultrapassado.

    Enfim, o fundamental é um diploma na área de humanidades, não há dúvida. E técnicas são técnicas, algo menor, que qualquer um tira de letra.

    Um forte abraço, velho amigo!

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