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ESPÍRITO SANTO E O NOVO ELDORADO ECONÔMICO

23 de setembro de 2009

A região alcooleira do Espírito Santo sonhou com a riqueza, que se foi de repente. Qualquer pessoa com que se fale, e que seja de Pedro Canário ou Conceição da Barra, só vai falar na “quebradeira geral”. Parace até que o novo Brasil que emerge da crise internacional não chegou por lá.

Faz alguns dias que li uma bela reportagem sobre um fenômeno econômico em Sertãozinho (SP). A região é, tradicionalmente, canavieira, mas o que faz essa riqueza se multiplicar por lá são os 14 mil hectares de álcool orgânico, de alto valor comercial no mundo, graças aos investimentos de um grupo nacional e tradicional, a Usina São Francisco. Coisa de família arraigada e comprometida com seu próprio ambiente.

É intrigante que se tenha que conviver com um quadro como esse, que assola a divisa do Espírito Santo com a Bahia, quando o mundo busca cada vez mais por fontes limpas de energia. Mas nem tudo está perdido, não é mesmo? Vivemos a era do pré-sal, que coloca irmãos contra irmãos.

 Um dia, quando trabalhava em Colatina, uma promotora me disse: “Três barras colocam o homem em conflito: barra de ouro, barra d´água e barra de saia”. A barra de ouro da atualidade atende pelo nome genérico de petróleo. Nos últimos dias, as tais reservas descobertas na camada geológica chamada pré-sal geraram sonhos e conflitos e despertaram ambições.

De antemão, quero dizer que não sou um pacifista ingênuo, embora defenda a paz e o entendimento como melhor caminho para a humanidade. Dizem (nunca li isso de forma definitiva) que Monteiro Lobato, o homem do sítio do pica-pau amarelo e do jeca tatu, um dos primeiros a defender a bandeira “O Petróleo é nosso”, que despertou o nacionalismo brasileiro, dizia que somente haveria paz no mundo no dia em que cada país tivesse sua bomba atômica.

O governo federal está certo em modernizar seus equipamentos de defesa nacional. É melhor do que ficar dependendo de proteção alheia: cuidado com quem te protege para não se torne em teu carcereiro. Mas, antes mesmo do pré-sal, que nos diz muito respeito – afinal, as reservas estão ao longo do litoral brasileiro, do Espírito Santo a Santa Catarina -, já havia uma região capixaba impactada, fortemente, pelas riquezas dos combustíveis fósseis e comemorando o prenúncio de muitos dividendos.

Assim como em nível nacional o Espírito Santo se une aos demais Estados produtores para ajudar a repartir e ficar com a melhor parte, os dirigentes políticos disputam seu quinhão nas novas reservas no chamado pré-sal.

Venho tentando me informar lendo muito a respeito, mas estou muito desconfiado das intenções de quem aborda o assunto. Por que será que a cabeça da gente tem que ser manipulada pelos que podem publicar o que pensam? E quais são as razões subjetivas por trás do que escrevem? Por que a gente tem que ficar desconfiado também do governo, que deveria defender os interesses da Nação e não de grupos?

Algumas coisas, porém, me saltam aos olhos. O prazo mais elástico que vi para a durabilidade dessa nova fronteira de riqueza fóssil é de 50 anos. Nesse período, haveria mercado garantido, mas e depois?

Mas, para todos os efeitos, a nova riqueza somente irá jorrar nos próximos 15 anos e muitas alternativas energéticas estão sendo gestadas nos laboratórios do mundo inteiro. Inclusive, a utilização do hidrogênio como combustível de automóveis. E o hidrogênio não vai faltar nunca, com a vantagem de ser limpo.

Estocolmo, na Suécia, tornou-se a primeira capital verde da Europa com uma série de medidas de desenvolvimento sustentável, dentre as principais a substituição gradual dos combustíveis fósseis, poluidores e de fontes esgotáveis.

Cinqüenta anos se passam como num piscar de olhos. Se as medidas tomadas não forem de estadista, tendo em conta as gerações futuras, coitados dos nossos descendentes. Quando adolescente, visitei algumas vezes a selvagem Praia das Neves, última fronteira litorânea do Espírito Santo no sentido Sul.

Nos últimos dias, pude conversar com alguns de meus alunos de Geografia, que trouxeram relatos de observações feitas no município de Presidente Kennedy. Em uma de suas últimas edições, A Gazeta (ES) traz matéria sobre os municípios que mais investiram, em volume nominal e per capita. Presidente Kennedy, esse pequeno município do extremo Sul capixaba, está entre os que mais investiram. E, se investiu, é porque sua receita comportou. E comportou mesmo. O erário está abarrotado de dinheiro e prédios públicos novos nascem como árvores para justificar os gastos. Para ninguém ocupá-los. Ou ocupá-los como habitantes quase solitários de pequenas ilhas de excelência sem benefícios práticos.

Por mais que eu queira que meu Estado torne-se uma Dubai, contanto que todos tenham acesso aos castelos, minha cabeça ainda não elaborou bem a idéia de que o novo petróleo seja uma riqueza mais dos Estados em cujo território jorra do que de todo o povo brasileiro.

Igualmente, ainda não engoli a proposta do governo federal de que os recursos formem um fundo para investimento em atividades educativas, programas de combate à pobreza e à desigualdade, dentre outros. Isso já deveria ser feito com o que o governo arrecada e vai arrecadar cada vez mais, como consequência do incremento econômico.

Gostei muito mais da idéia defendida por um articulista acerca da formação de um fundo que garanta o mínimo de dignidade aos valores das aposentadorias dos brasileiros, desde já e no futuro, como fez a Noruega. Afinal, a expectativa de vida está aumentando muito e 80% dos nossos aposentados têm que continuar trabalhando para se sustentar, se não quiserem cair nas costas de filhos e outros familiares mais novos. E, afinal, “o petróleo é de todos nós”.

Em nível regional, já vemos há um bom tempo o desequilíbrio manifestado pela intensa atividade econômica dos novos eldorados, embalados pelos royalties da atividade principal e pelos impostos das atividades satélites, à custa do empobrecimento das regiões afastadas da costa. Das duas uma, ou as pessoas de lá se acomodam à pobreza e às notícias vindas do litoral, ou também abandonam seu lugar e partem em busca do “novo ouro”. Aí, é o caos definitivo.

O dinheiro advindo dessas novas riquezas cria um campo fértil para a corrupção. Que Deus nos valha!!!

José Caldas da Costa é jornalista, escritor , licenciado e professor universitário de Geografia.

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