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O CRISTÃO E O CONHECIMENTO ACADÊMICO

2 de novembro de 2009

 Zakeu Zengo (*)

Em semana recente fui compartilhar a fé com a juventude da Primeira Igreja Baptista de Luanda, num evento dedicado à Semana do Estudante Cristão. Convidaram-me para partilhar a palestra “A importância da formação acadêmica para o cristão”.

O tema, além de oportuno nestes tempos de reconstrução do País, e portanto de reconstrução de mentes e oportunidades também, foi relevante ainda para a necessidade do combate de um velho fantasma associado com a fé e as igrejas: a apologia do obscurantismo.

Muitos acham que ignorância é sinal de boa fé. E que estudar atrapalha o aprofundamento na fé, por causa de incompatibilidades mil entre fé e razão. Há mesmo quem defenda que ter fé já é sinal de fraqueza intelectual e acadêmica. O “intelectual” deve ser herege ou viver em crise para ser brilhante.

Alguns colunistas dos nossos tabloides semanais, quando em causa está jogar pedras contra as aberrações de algumas igrejas em Angola, ou contra as façatarias da IURD, mergulham igualmente nestas insinuações que acabam revigorando na nossa juventude o fantasma da ideologia marxista que por aqui utilizamos para fertilizar o “poder popular”.

Deixemos para lá essas insolências humanas para assegurar primeiro que Deus não é matéria de intelecto ou conhecimento cognitivo. É matéria de fé e de experiência. É isto que os cristãos precisam saber quando começam a se preocupar com a formação intelectual. Quando Oséias registra: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” (4.6), não alude ao conhecimento cognitivo, cerebral. É o mesmo sentido de “Adão conheceu sua mulher”. O termo hebraico envolvido dá a ideia de um conhecimento experiencial, emocional, relacional e profundo.

Deus não é matéria de razão pura. É por isto que temos uma Bíblia: ele se revelou. Ele se deu a conhecer. Ele se manifestou na pessoa de Jesus. Podemos conhecer a Deus porque ele se deu a conhecer. Mas duas pessoas podem ler o mesmo exemplar da Bíblia e terem posições diferentes. Porque só se descobre seu sentido verdadeiro pela iluminação do Espírito.

Muitos gostam de exibir um conhecimento de Deus todo especial: Deus fala com eles. Diariamente. Eles não precisam da Bíblia, nem aprender seu sentido. Com um misticismo arrogante, dizem: “Deus falou comigo”. Nunca vi um dizer “Deus falou comigo para ser mais humilde e aprender dos outros”. Deus fala para colocá-los numa posição superior ou para apoiar decisões sem sentido, que eles não querem discutir.

Para já, e isto deve ficar bem claro, o Espírito Santo não obscurece nem emburrece. Ilumina. Esclarece. Capacita. Precisamos de cristãos que pensem e estudem, que se aprofundem na cultura secular, e que a analisem à luz das Escrituras. Precisamos de crentes firmes na Palavra, que entendam o mundo à luz dela, que ajudem a Igreja a se firmar neste mundo confuso.

Conhecer Deus é produto de um coração submisso, de uma mente rendida a Cristo, e com fome da Palavra. Os estudantes devem ser estimulados. A Igreja deve dar apoio e sustentar em oração os jovens que estudam, os adultos que pesquisam, e fortalecê-los no conhecimento de Deus e da Bíblia.

Precisamos e vamos precisar muito de mentes como a de Paulo, lúcida, culta e brilhante. E como ele, “levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo” (2Co 10.4). A verdadeira fé não teme conhecer.

Estudante cristão: cresça, brilhe e seja o melhor. Honre ao Senhor.

 Zakeu António Zengo é teólogo formado no Brasil, doutor em Antropologia e reitor da Universidade Metropolitana de Angola

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