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CAPARAÓ, O ESFORÇO INSPIRA POESIA

18 de junho de 2010

Se você está chegando agora, sugiro que procure abaixo os artigos que venho escrevendo nos últimos dias sobre nossas aventuras nas montanhas capixabas para entender o que vem hoje. Estou falando, agora, da sequência de nossa visita à Serra do Caparaó, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais, junto com os alunos do segundo período de Geografia da Ufes.

Muito mais do que observações acadêmicas, nossa jornada, que havia começado às 6 da manhã de sábado, ainda no campus da Ufes em Goiabeiras, cumpriu outros propósitos, que os próprios alunos manifestaram. Havia alunos que sequer sabiam se chegariam ao primeiro acampamento, mas que chegaram ao Pico da Bandeira, entre lágrimas. Pura determinação.

Transcrevo, com a devida autorização, o quase poema que foi distribuído entre a turma pela aluna Bárbara Kristiny, uma das 13 pessoas que chegaram ao cume:

Coisas que aprendi com o Pico da Bandeira…

 

…Que por mais que estejamos dispostos a fazer algo, esse ânimo passa assim que encaramos o primeiro obstáculo;

Que a união é mais determinante para se alcançar um objetivo do que o desejo em si;

Que por mais íngreme que seja a subida é necessário continuar;

Que enxergamos melhor o céu quando não vemos o que está bem em nossa frente;

Que um ponto de parada não é necessariamente um ponto de chegada;

Que a maior batalha que temos que enfrentar para alcançar algo é contra nós mesmos;

Que suportamos mais do que acreditávamos suportar;

Que as visões que temos de higiene e do que é correto são diretamente proporcionais a nosso desespero;

Que é muito mais perigoso ficar parado no meio do caminho do que dar um passo no escuro;

Que é importante respeitarmos nosso limites;

Que tropeços, escorregões e quedas são inevitáveis e não devem nos fazer parar;

Que o medo de cair-mos em um abismo é maior do que o abismo em si;

Que não basta estar seguro, é preciso que todo o grupo também esteja;

Que mesmo na parte do caminho em que estamos sozinhos a lua ainda nos guia;

Que um grito pode ser tudo o que você precisa para alcançar o topo;

Que no momento em que chegamos mais próximos de nosso objetivo inicial é o mesmo momento em que já não temos mais forças para continuar;

Que temos que ignorar a nós mesmos para alcançar algo maior;

Que mais importante do que chegar e ver o nascer do sol é ter a certeza de que fez o melhor que podia.

 Para não quebrar o encanto e a beleza do poema-depoimento, volto na próxima falando sobre outros aspectos do Caparaó Capixaba. Apenas observando que, depois de “vaguear” 16 horas por inóspitas serras, dorme-se ao relento e, com frio e fome (fui o último a almoçar, às cinco da tarde, no domingo), a poltrona, minimamente reclinável, de qualquer ônibus vira o melhor dos leitos de volta para casa.

 Amanhã: Pedra Menina, um lugar precioso

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