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11 DE SETEMBRO SINISTRO: DOIS FATOS

11 de setembro de 2010

O mundo do Século XXI costuma lembrar-se do 11 de Setembro de 2001, quando as torres gêmeas desabaram no coração de Nova Iorque.

Minha lembrança desse dia é que estava em trânsito quando  meu celular tocou e Amilton Brito, jornalista forjado pelas minhas mãos na bigorna da Sucursal de A Gazeta em Colatina, que chefiei, avisou-me de que todas as tevês estavam ao vivo falando do ataque.

Eu estava a caminho de casa, no Centro. Cheguei a tempo de correr para a frente da tevê e ver, transmitido ao vivo, o segundo avião espatifar-se contra uma das torres gêmeas. Estupefação geral!

Tudo o mais que aconteceu no mundo, depois disso, teve como referência o ataque ao símbolo da economia ocidental. Todas as atitudes estado-unidenses, depois disso foram justificadas pelo “ataque às torres gêmeas”. Até hoje, muito se diz sobre o fato, atribuído aos radicais islâmicos chefiados por Bin Laden.

Tenho um amigo, que tem um amigo engenheiro que trabalhava no Iraque na ocasião. Os dois falaram-se por telefone e o engenheiro disse ao meu amigo que, entre 10 e 13 de setembro, Bin Laden estava internado num hospital da base americana no País. Dois dias depois do ataque, saiu do hospital e ninguém jamais o viu.

Bin Laden saiu do hospital da base americana para virar mito. Eu, particularmente, nunca entendi como aqueles prédios, atacados no alto e de lado desabaram em pé, como numa implosão.

Mas há outro fato marcante desse 11 de setembro, que deveria ter muito mais significado para nós, latino-americanos: a derrubada do presidente Salvador Allende. Eleito democraticamente no Chile, Allende foi derrubado pelos militares comandados pelo general Pinochet, submetendo os chilenos ao mais duro regime de exceção de sua história – talvez, o mais duro de todos os golpes dados nos países americanos abaixo dos Estados Unidos nesse período, no período da Guerra Fria.

Recorro a um colega jornalista, amizade feita no caldo do sucesso de “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura” (Boitempo, 2007). Celso Lungaretti escreveu sobre o 11 de Setembro latino-americano:

Hoje é dia de reverenciarmos Salvador Allende, o  compañero presidente. 

Que nunca pretendeu, no poder, ser nada além de outro militante revolucionário, como todos os seus companheiros de jornada na luta por um Chile com liberdade e justiça social. 

E que, naquele terrível 11 de setembro de 1973, não aceitou curvar-se aos tiranos, preferindo a morte digna à fuga indigna que lhe ofereceram.

Então, as palavras que endereçou ao povo pelo rádio, na iminência do martírio, inspirarão para sempre os combatentes por um mundo redimido do pesadelo capitalista:

‘Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo: tenho certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser extirpada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens se levantarão depois deste momento cinza e amargo em que a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, bem mais cedo do que tarde, vão abrir-se de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor’.

O 11 de setembro é sinistro, como diriam meus filhos. O mundo está mudando…

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