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2011: O ANO DE DILMA E CASAGRANDE

2 de janeiro de 2011

Lula, o operário, ergue a mão de Dilma, a primeira mulher a assumir a Presidência do Brasil

A assunção de Dilma Roussef como primeira mulher a governar o Brasil em pouco mais de 120 anos de história republicana é emblemática. O fluxo recorde de chefes de Estado à sua posse demonstra sua importância. Dilma é hoje uma das mulheres mais poderosas do mundo.

Talvez nunca pudesse imaginar isso quando começou a militar nos movimentos estudantis em Belo Horizonte (MG) e mesmo quando acabou arregimentada para a luta de resistência ao regime de arbítrio militar que assumiu o comando da Nação a partir de 1964 e somente o devolveu a um civil em 1985.

 Dilma vai pilotar o jumbo chamado Brasil num momento ímpar de sua história. Penso que, com ela, cada mulher brasileira se sinta mais relevante e cada homem mais consciente de que a mulher é, antes de qualquer coisa, companheira de jornada e não apenas uma figura secundária da história.

Seu antecessor, Lula da Silva, não sai do poder para entrar na História – ele já fez história e sai, sim, como o mais popular governante ao final de um mandato numa democracia ocidental. Ninguém duvide de que Lula possa voltar a governar o País. Tudo vai depender de Dilma. Se ela for bem, é legítima candidata à reeleição em 2014, ano da Copa do Mundo do Brasil e a dois anos das Olimpíadas de 2016. Se não for tão bem, Lula volta, não tenho dúvidas.

Fato é que o grupo que chegou ao poder com Lula não vai devolvê-lo à oposição tão cedo. Até porque por oposição pode-se chamar DEM e PSDB, dois partidos que mínguam a cada ano. Sempre existirão, mas cada vez mais sem condições de assumir o papel de comando. A chance foi perdida no governo de FHC.

No mais, a democracia brasileira se consolida. Ao fim do regime militar, experimentamos a inépcia do governo Sarney, as loucuras do governo Collor (deposto pelas ruas), sucedido por seu vice nacionalista Itamar Franco, os oito anos do brilho intelectual de Fernando Henrique Cardoso para satisfazer às elites e, depois, o governo de dois mandatos do operário Lula tendo como vice o empresário-guerreiro-da-saúde José de Alencar. Ambos, de poucas letras – não cursaram mais que quatro anos de escola – mas de muita sabedoria acumulada na vida.

E, agora, enfim, uma mulher no poder. E o que mais poderíamos desejar para mostrar ao mundo o amadurecimento do Brasil? O que precisamos é deixar a mulher trabalhar e cada um, como disse um líder estadunidense, não perguntar o que a Pátria pode fazer por você, mas o que cada um de nós pode fazer pela Pátria chamada Brasil. O sentimento de brasilidade parece mais latente na veia de cada um. Há um certo orgulho nacional renascendo. Devemos conter a euforia, entretanto, e respeitar as outras nações, pares nossos na jornada para o futuro.

Nesse universo gigante do Brasil, o ex-patinho feio Espírito Santo emerge das cinzas históricas e da lama recente para, igualmente, sonhar com um filho ousado de agricultores, descendentes de bravos imigrantes italianos, Renato Casagrande. Há muito a fazer ainda, mas Renato leva sobre si a esperança de que o governo deixe de ser das e para as elites econômicas e o crescimento econômico transforme-se em desenvolvimento social de fato e de direito. Volto ao tema depois.

José Caldas da Costa é brasileiro, capixaba e alegrense; jornalista, escritor, professor-substituto-voluntário no Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo.

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