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AS LIÇÕES FINANCEIRAS DE JOSÉ

14 de fevereiro de 2011

Estava assentado no banco da igreja onde me congrego, em meu culto dominical, quando tive minha atenção despertada, especialmente, por uma historinha contada pelo pregador. Adoro histórias ilustrativas de verdades necessárias para o dia-a-dia.

Contou o pregador que estudava e trabalhava no Rio de Janeiro e tinha alguns amigos judeus. Um dia perguntou a um deles, dentro de uma visão maniqueísta à qual todos fomos acostumados, por que todo judeu é rico. Primeiro, delicadamente, o amigo alertou que isso não era uma verdade, mas salientou, entretanto, que, verdadeiramente, não se costuma ver um judeu mendigando.

Em seguida, o amigo explicou-lhe que a não mendicância decorre de uma filosofia de vida que é seguir a “lição de José”. E o cerne dessa lição, segundo aquele descendente de Jacó, é que, culturalmente, todo judeu aprende, desde o berço, que deve ter reservas suficientes para viver por pelo menos seis meses, em caso de alguma tragédia se abater sobre seus negócios.

Fui rever, então, a história de José, o filho da velhice de Jacó, o “fundador” da história de Israel, e, dentre outras coisas, atentei para o exemplo financeiro de sua filosofia.

Neste aspecto, o que chama a atenção é o extremo senso de organização e administração de José, que fez prosperar a casa de seu senhor, quando chegou como escravo ao Egito, conquistou a confiança do carcereiro e assumiu a administração da prisão onde fora jogado posteriormente, e, por fim, colocou ordem na Casa do Faraó, quando foi elevado à condição de seu “primeiro-ministro”.

Isso faz parte da história do Egito, hoje conflagrado por causa das três décadas de ditadura de Mubarack. José, esse hebreu, foi o responsável pela prosperidade do Egito numa época em que o mundo foi assolado por fome, pois, como administrador, ensinou ao Faraó que deveria juntar “nos sete anos de vacas gordas” para que tivesse com que alimentar seu povo “nos sete anos de vacas magras”.

E, com isso, José pôde não apenas salvar os egípcios, mas todos os povos sob influência daquele País, inclusive sua própria família, pois a palestina também foi varrida pela fome e conta a história que seus irmãos, que um dia, por inveja de seus sonhos, o venderam como escravo, foram enviados pelo seu pai para buscar comida no Egito, sendo reconhecidos por José.

O propósito de trazer esse assunto desta forma está na coluna da semana passada, quando abordei o consumismo como um mal que dilacera o caráter de nossa juventude, e as louváveis recentes iniciativas governamentais de ensinar administração financeira nas escolas públicas. Por favor, leitores, atenham-se à filosofia transmitida, sem preconceitos de qualquer natureza. Precisamos, na vida, aprender uns com os outros.

Precisamos criar um sistema de educação menos comprometido com o sistema de produção e mais com o ser humano. Poucos têm a sorte de despertar a tempo de impedir que as dívidas se tornem um pesadelo eterno.

O Brasil experimenta um momento econômico único na história. O Espírito Santo, antigo patinho feio da federação, é uma criança que acabou de ganhar um brinquedinho novo. É preciso passar as instruções corretas de uso, antes que danifique, irremediavelmente, o brinquedo.

Com o tempo, a família de José aprendeu que se é rico não pelo que se ganha, mas pelo que se poupa. Nas escolas, deveriam ensinar as crianças não a ter cartões de crédito para comprar merenda, mas a se viver apenas com 70% do que se ganha e a guardar a décima parte do dinheiro que se ganha dos pais como poupança. E a dividir com quem não tem (pelo menos 10%), bem como sempre se reinvestir em desenvolvimento pessoal (10%). Ensinou o grande filósofo Jim Rohn que, se crescermos apenas 1% ao dia, ao final de um ano estaremos quatro vezes melhores.

Se nossas crianças aprendessem isso com os pais, e nas escolas, teríamos adultos menos oprimidos pelo consumismo e pelas dívidas e mais livres para negociarem os preços do que, efetivamente, precisarem comprar, em vez de terem que alimentar o parasitismo dos bancos, pagando-lhes juros extorsivos, nos cheques especiais, nos cartões de crédito e nos créditos pessoais.

Chegamos ao extremo de lojistas aliarem-se ao sistema financeira usurário e, praticamente, se negarem a fazer vendas à vista, preferindo os parcelamentos, onde ganham, extorsivamente, em taxas de juros abusivas e desconhecidas do cliente.

A despeito de os judeus serem, comumente, associados à usura do capital internacional, notadamente pelos seus inimigos, há aspectos em sua tradição no Pentateuco que deveriam ser apropriados em nossos dias. Se assim o fosse, o mundo teria mais equidade. Que tal conhecer um pouco da lei do Ano Sabático? Ou da condenação à usura, que está lá nos escritos hebraicos?

Tenho sérias dúvidas se nossos professores estarão preparados para ensinar aos seus alunos uma coisa que eles mesmos não aprenderam. Ou se o sistema de ensino vai trair o patrão e orientar os mestres  como, realmente, deveriam se proceder.

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2 Comentários leave one →
  1. 7 de agosto de 2011 18:07

    O Segredo não está em uma quantia exorbitante que podemos ganhar, mas no pouco que podemos produzir com Deus.

  2. ELIZOMAR permalink
    25 de setembro de 2015 15:13

    Ótimo texto. Grandes lições para a vida.

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