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A MARGEM ESQUERDA DO RIO DOCE

27 de fevereiro de 2011

NOVA RODOVIA REVELA AS BELEZAS DAS LAGOAS DO ESPÍRITO SANTO

A rodovia ES 248 percorre a margem esquerda do rio Doce, integrando Linhares e Colatina

Lagoa Juparanã: até quando essa beleza continuará escondida do Brasil e do Mundo?

Adoro descobrir lugares. Alguns estão ali, ao alcance de nossas mãos e nossos pés e nem percebemos. Convivo em Colatina há três décadas. Sempre ouvi as pessoas falarem em pescarias nas lagoas à margem esquerda do rio Doce, entre Colatina e Linhares, mas nunca estive por lá. Talvez porque não tenha paciência para pescar.

Aliás, não é nem questão de paciência, mas de falta de acordo mesmo com os peixes. Qualquer menino de cinco anos pesca melhor do que eu, que não consigo pegar nada nem em pesque-e-pague.

Sempre fiquei pensando na falta de bom senso que era a não pavimentação da rodovia margeando o rio Doce e ligando as duas cidades, historicamente, relacionadas, mas geograficamente separadas pelo padrão de circulação concêntrico, cujo pano de fundo era a migração de populações do interior para as regiões metropolitanas.

Quando o governo do Estado anunciou as obras na rodovia ES 248, fiquei na expectativa. Quando foram concluídas, fiquei tentando encontrar uma oportunidade para percorrê-la, o que, finalmente, consegui nesta última semana, tendo o sol se pondo às minas costas, e confesso que fiquei extasiado com a beleza da região.

Muita gente, entretanto, continua percorrendo mais de 100km entre Colatina e Linhares, passando por João Neiva, principalmente quem vem de Minas Gerais pela estrada do contorno de Colatina, na BR 259. Quando chega à cabeça da segunda ponte, a única indicação de Linhares é no sentido João Neiva (BR 101).

Para os responsáveis pela sinalização das rodovias federais no Espírito Santo, a única opção na beira-rio é Marilândia. Isso demonstra bem a falta de competência de certos dirigentes indicados pelos políticos capixabas para dirigirem órgãos federais. Vale lembrar ainda que nossas rodovias federais estão cheias de sulcos, provocados pelo tráfego pesado, aumentando o risco dos viajantes.

Como eu já sabia da existência dessa opção entre Colatina e Linhares, ignorei a sinalização oficial e tomei o sentido Linhares passando por baixo da segunda ponte. O viajante somente tem certeza de que está na direção certa quando chega ao entroncamento para Marilândia e se depara com a placa indicando o sentido Linhares.

Fiquei extasiado, tive vontade (e o fiz) de gritar dentro do carro. Que potencial!!! Pena que as belas lagunas, como a lagoa do Batista e a Lagoa Nova, sejam conhecidas de tão pouca gente, a não ser os pescadores de fim de semana.

Diante do novo momento que se anuncia para Linhares, que deverá se transformar na maior cidade do Espírito Santo nos próximos 20 anos (mesmo considerados os municípios do aglomerado metropolitano da Grande Vitória), é imperdoável que não haja um plano de desenvolvimento turístico que explore o enorme potencial das lagunas entre Linhares, Rio Bananal, Sooretama, Colatina e Marilândia.

Fiquei sabendo que até mesmo a Lagoa Juparanã, a segunda maior do Brasil, está com suas margens totalmente privatizadas. E que as outras, como a Lagoa Nova, de rara beleza, também estão privatizadas. Essas são algumas belezas reveladas pela nova rodovia, que percorre planícies cercadas de fazendas, atravessa remanescentes da Mata Atlântica e também demonstra a lenta agonia do rio Doce assoreado.

Tenho um amigo angolano, com larga vivência internacional, a quem sempre apresentei o Espírito Santo. Da próxima vez que ele vier aqui, vou levá-lo a percorrer os 70km entre Linhares e Colatina e, mais uma vez, ele haverá de se escandalizar com tanta beleza desperdiçada. O Espírito Santo parece ter se acostumado com a incompetência de seus gestores públicos.

A margem esquerda do rio Doce vale a pena ser visitada entre Linhares e Colatina. Ali nascerá um novo polo regional de desenvolvimento. Não é difícil de imaginar que grandes empresas, que hoje caminham para se instalar no vale do Suruaca, descubram o enorme vazio urbano entre as duas cidades, com uma topografia privilegiadíssima. Eu preferiria que a região fosse descoberta, antes, pela indústria turística.
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