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HISTÓRIAS DE RUI BARBOSA… PARA RIR

17 de setembro de 2011

Recebo de meu amigo Araken Vaz Galvão, do Conselho Estadual da Cultura da Bahia, essas maravilhosas histórias atribuídas a Rui Barbosa e as compartilho:

 

Os patos

 

               “Rui Barbosa”, ilustre intelectual brasileiro, ao chegar em casa, ouviu estranho barulho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de estimação.

               Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do invasor disse-lhe em tom altamente catedrático:

                Bicéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares os profanos de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que te reduzirá a qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

               E o ladrão, confuso, pergunta-lhe:

               – Senhor, eu levo ou deixo os patos?

 A travessia 

               “Rui Barbosa”, com um grosso livro debaixo do braço, querendo atravessar um rio, dirige-se a um barqueiro negro e pergunta-lhe:

               – Ébano, quanto almejas de pecúlio para transportar-me nesse teu instrumento de labor, deste polo àquele hemisfério?

               O barqueiro, boquiaberto e não entendendo nada, faz um gesto que parece ser de desdém.

               Rui Barbosa, visivelmente enfurecido, replica ao barqueiro:

               – Se fizeste isso por ignorância, perdoo-te; mas se o fizeste para ofender-me, dar-te-ei com esta fonte de luzes pela cabeça, e te reduzirei à quinta substância da camada do pó que te envolve!

               O barqueiro, embasbacado com tantas palavras difíceis, pergunta:

               – É pra travessá o rio, sinhô?

 

 

Rui e o caipira

               Em noite de feroz inspiração, “Rui Barbosa” saiu a passeio pelo campo, e, topando com um roceiro que contemplava o luar, disse-lhe:

               – És um amante do belo! Acaso, já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno?

               – Ultimamente, não – respondeu o caipira pasmado. Faz um ano que num boto pinga na boca.

 

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9 Comentários leave one →
  1. digu permalink
    25 de setembro de 2011 15:29

    Isso faz parte de nossa cultura. Não deixemos morrer

  2. Ramon Veloso permalink
    11 de outubro de 2011 15:22

    Rapaz… como decaiu a nossa retórica desde os tempos de Rui.
    Claro que devemos ter o cuidado de não sair por ai falando assim a qualquer um pois, mais do que ele, passaremos por loucos ou bêbados.

  3. Rogério carlos permalink
    7 de fevereiro de 2013 3:28

    com certeza ele foi o cara de belíssimas frases, tem que ser lembrado mesmo por muitas pessoa

  4. 14 de junho de 2013 2:06

    amei as historias de rui barbosa ,2horas da madrugada , de tanto ri perdi o sono .os patos,a travessia ,Rui e o caipira.como é saudavel rir de acontecimentos simples,vindo de pessoas intelectual ,adorei

  5. 14 de junho de 2013 2:14

    quem souber ,de outros autores sobre acontecimentos do dia a dia, tao divertido como o deRui Barbosa ,coloque neste blog.isto faz um bem danado,lava a alma

  6. OSMAN permalink
    3 de janeiro de 2014 0:42

    PODEMOS COMPARAR COM AS PÉROLAS
    DO ENEM

  7. DJEFERSON E. DOS SANTOS permalink
    28 de janeiro de 2015 18:14

    A retórica que Rui nos contempla é uma essência do conhecimento plausível, com dotes de conhecimento, no afã da sociabilidade, por muitos perplexos. Mas a simplicidade dele era a áurea de zelar, valorizar e respeitar ao próximo.

  8. Paulo Cesar permalink
    4 de novembro de 2016 21:57

    A travessia, eu conheci diferente, a que já ouvi e li, começa assim:

    “Costa d’África, quanto queres para transpor-me desses umbrais atravessando essa corrente d’Água até o outro hemisfério. O barqueiro que tinha em seu barco uma cachorrinha, disse: Pode se achegar doutô, a cachorrinha num morde não”.
    Rui Barbosa se chateou e disse:

    “Bicéfalo, se o dissestes por mera ignorância, transigo-te; mas se o dissestes para ofender minha alta prosopopéia, dar-te-ei com meu cajado bem no alto de vossa sinagoga, que reduzirei a sua massa encefálica em verdadeira massa cadavérica!”

    O barqueiro, aí sim,embasbacado com tantas palavras difíceis, pergunta:

    – Afinal é pra travessá o rio, sinhô?

  9. Paulo Cesar permalink
    4 de novembro de 2016 22:05

    Outra que sei de Rui Barbosa, refere-se ao seu filho primeiro, assim:

    “Minha cara consorte, ao transpor os umbrais de nossa câmara nupcial, deparei com o nosso primogênito em movimentos alucinantes, num vai e vem constante e já ejaculando a êsmo.”

    Me narraram desse jeito, não sei se é verídico.

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