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“HORAS VULGARES”: UM FILME DIFERENTE DOS OUTROS

12 de outubro de 2011

Lauro, à direita, fala (e como fala!) e seu amigo Théo escuta (e como escuta!) em "Horas Vulgares", longa capixaba (Foto: Felipe Ribeiro/Divulgação)

José Caldas da Costa, 37 anos de jornalismo

Não sou especialista em cinema, embora aprecie a arte desde minha adolescência. Como apreciador e motivado por dois fatores – o fato de meu filho Jessé ter feito parte da produção e a admiração pelo autor do livro que o inspirou – fui na noite de terça-feira à estreia de “Horas Vulgares” no Cine Metrópolis, da Ufes.

Um especialista poderá analisar a obra com mais propriedade que eu, mas esta é a minha visão. “Horas…” é um filme surpreendente e demonstra que o talento não escolhe lugar geográfico, mas faz do lugar um espaço em que se manifesta.

Produção capixaba, com atores capixabas, o filme de Vitor Graize e Rodrigo de Oliveira aborda a problemática existencial humana, girando, basicamente, em torno de Théo (Rômulo Braga) e o pintor de quadros Lauro (João Gabriel Vasconcellos), retratando a trajetória de um grupo de jovens apaixonados por jazz e marcados por despedidas trágicas ou voluntárias de companheiros que partiram.

O filme é lúgubre, característica acentuada pela opção que seus autores fizeram pelo preto e branco, e baseia-se no romance “Reino dos Medas”, de Reinaldo Santos Neves, publicado em 1971 e encontrado por Vitor em um sebo. O ambiente é Vitória histórica, resgatando imagens que, por vezes, passam desapercebidas pelo observador em meio aos arranha-céus e ao modernismo da capital capixaba.

“Vitória é um lugar onde as pessoas vêm para ter certeza que têm que ir embora”. A fala de Lauro (aliás, como fala esse Lauro! E como escuta esse Théo!) demonstra bem o estado de ânimo do personagem central do enredo. Triste do início ao fim, sem conseguir encontrar seu lugar no mundo, Lauro reflete uma geração sem rumo, cujo único rumo encontrado, como fruto de sua profunda insatisfação, deve ser enfrentado encontrando-se um sentido para a existência.

Ainda integram o elenco os capixabas Tayana Dantas, Higor Campagnaro(que tem uma fala profética como Fran: “Vitória é uma cidade que escolhe a hora de te dar as coisas”), Thaís Simonassi e Erik Martincues, talentos com carreira em Vitória estrelando o primeiro longa-metragem; e também Sara Antunes (consagrada nos palcos paulistanos e cariocas), Julia Lund (da novela Caras e Bocas) e Raphael Sil (No Meu Lugar). Completam o elenco os músicos Abner Nunes, no papel do saxofonista Eric, e Murilo Abreu, da banda Solana, que interpreta o contrabaixista Gil.

Vida longa a “Horas Vulgares” e ao cinema capixaba.

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One Comment leave one →
  1. 13 de outubro de 2011 8:16

    Bem-vindo ao mundo do cinema. Parabéns.
    Veja toda semana: http://www.baixosulnoticias.com.br/p/cinema.html

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