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“O ESTADO PRESENTE É UMA BALELA”

18 de junho de 2012

A expressão-título desse artigo ganha muito maior força quando é dita por alguém de dentro das próprias forças públicas, com uma contundente crítica à falta de Segurança Pública no Espírito Santo.

Ganha contornos dramáticos quando se conhece que foi dita por uma sargento da Polícia Militar, sob impacto da perda do cunhado de 40 anos num brutal assalto à luz do dia, na esquina da rua onde morava e trabalhava no seu bar tradicional, num dos bairros da Grande Vitória, em Vila Velha. Mais precisamente, entre os bairros de Vila Nova e Jardim Colorado.

E é ainda mais grave quando se descobre que a autoria da expressão é de uma policial que compõe a equipe de segurança do prefeito da Capital.

Ou seja, se nem eles aguentam mais, o que dizer de nós, pobres cidadãos. Para evitar assalto, só ficando dentro de casa, é o conselho da mesma servidora do sistema de segurança pública do Estado do Espírito Santo, tomado pela bandidagem, pela hipocrisia dos dirigentes públicos, pela demagogia política, pela incompetência administrativa, e pela covarde omissão de seus cidadãos.

E o que certamente acontecerá depois do desabafo da sargento capixaba? Nada, dirão os imediatistas. Eu não seria tão otimista. Vai acontecer, sim. Ela certamente ganhará um tempo para refletir não sobre a insegurança pública capixaba, mas sobre o que não deveria ter dito, porque está sob um regulamento herdado da ditadura militar. Porque é assim que age o Estado opressor travestido de democrático quando alguém abre a boca e pronuncia uma verdade contra ele.

E, o pior: a sargento será punida e ninguém fará nada por ela. Afinal, estamos todos muito ocupados com nossos interesses para nos mobilizarmos em defesa de uma verdade e de quem a proferiu:  “O Estado Presente é uma balela”. Sim, sargento-cidadã, mais que uma balela, uma bela peça pregada em todos nós, que contribuímos para manter esse estado de coisas.

Infeliz é a sociedade que vê seus tributos investidos em presídios e não em escolas, e não reage. Que descobre que, mais do que investidos em lugares errados, vê que isso é uma fonte de rapinagem de recursos públicos, e não fala nada. Afinal, qual a parte que me toca nesse latifúndio? Antes, prefere exaltar e curvar-se ante a imagem construída com o seu, o meu, o nosso dinheiro, de um mito que se assemelha a César . Aliás, é César.

Estamos cansados de tudo isso. Estamos cansados de saber que gastam o nosso dinheiro com coisas que não funcionam; que discursam e se empregam às nossas custas; que colocam gente incompetente no lugar que deveria estar ocupado por quem entende; que abominam a inteligência e até a eliminam pelos meios mais sórdidos que possam existir.

A (in)Segurança Pública é apenas, nesse momento, a parte mais visível da falência do desenvolvimento de um Estado, que se ufana de seu crescimento econômico. Crescimento este que somente tem servido para alimentar as hienas e as aves de rapina do dinheiro público. Constroem presídios porque não educam o homem e nem desenvolvem a sociedade. Investem em viaturas porque não equipam as instituições e nem se preocupam com seu patrimônio humano. Bisbilhotam a vida alheia não porque estejam preocupados com os desvios de conduta, mas com o que falam entre si os cidadãos, seus mantenedores. Monitoram-nos porque temem que possamos dizer o que sabemos.

Chega! Estamos cansados da hipocrisia, da incompetência, da arrogância e da omissão. De uma segurança que é insegura; de uma educação que é inculta; de uma saúde que é doente;  de uma fazenda de podridão; de uma classe política que faz tudo, menos a política, a arte de servir ao público – antes, transformam as instâncias máximas do poder republicano em balcões de negócios e negociatas.

Sim, estamos cansados do marketing político, que vem aí de novo para vender veneno em embalagens de remédio.


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One Comment leave one →
  1. Flavio Freitas permalink
    28 de junho de 2012 15:55

    Parabéns a sargento pela sua coragem!!

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