Skip to content

Brasil exporta a “tecnologia da violência” para Angola

14 de junho de 2013

Em dias conturbados, com o acirramento de conflitos entre a população civil e as forças de segurança nas duas principais cidades brasileiras, e em meio à discussão sobre a violência infanto-juvenil, vale a pena refletir sobre o que escreveu o angolano Ismael Mateus.
O Brasil foi um dos principais destinos dos angolanos da diáspora durante o período de guerra civil em que aquele País africano mergulhou, após conquistar sua libertação do domínio português, em meados dos anos 70. Língua, clima, oportunidades, aceitabilidade do estrangeiro, tudo isso contribuiu para que o Brasil fosse o escolhido por boa parte desses africanos.
Hoje, com o País pacificado e em tentativa de reconstrução, Angola recebe milhares, talvez milhões, de filhos pródigos. Quem vive e convive com outros povos, absorve deles parte de sua cultura. Como se vê, os mais lúcidos angolanos querem evitar, pela inteligência, a importação por eles de nossa “tecnologia da violência”. Se não, vejamos o que fala Ismael Mateus.
“Ao estudarmos a grave situação criminal do Brasil, recomenda-se imediatamente que estudemos bem as lições a tirar sobretudo de São Paulo e Rio de Janeiro.
É um erro afirmarmos à partida que não somos o Brasil. Realmente não somos, tal como há uns anos os níveis de criminalidade no Brasil não eram estes.
Existem três conflitos que já são latentes entre nós e para os quais temos de aprender com as lições brasileiras. O primeiro é o conflito entre os órgãos de justiça e a polícia. Uns prendem e outros libertam, muitas vezes por meros expedientes burocráticos. Os bandidos acabam fora em poucos dias ou às vezes nem são levados a tribunal. Voltam ao crime ou criam ideia de impunidade.
Em segundo lugar, o conflito entre a polícia e as associações dos direitos sobre a proporcionalidade do uso da força mas também sobre a preocupação com o atacante e não com a vítima.
Em terceiro lugar o conflito entre a sociedade e a polícia acerca da eficácia policial e que resulta quase sempre como consequência dos conflitos anteriores. A população não pode fazer justiça por mãos próprias mas a policia ou chega tarde, ou o tipo é libertado dias depois ou não é assegurada a fiabilidade da denúncia e o individuo denunciante sofre represálias
Temos de encontrar equilibro na nossa sociedade para que não cheguemos aos níveis do Brasil. Já viram os crimes violentos que estão a ocorrer em Luanda? Não terá começado assim no Brasil?”

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: