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Protestos no Espírito Santo: o povo “retoma” a Terceira Ponte

17 de junho de 2013

Foto postada por um utilizador do Facebook: ponte ligando Vitória a Vila Velha (ES)

Foto postada por um utilizador do Facebook: ponte ligando Vitória a Vila Velha (ES)

Neste momento recebo a informação de meu colega Paulo Rogério de que uma multidão se aglomera em torno da casa de verão do governador na Praia da Costa, em Vila Velha. Talvez nem tenham compreendido o simbolismo de tomarem a Terceira Ponte fazendo a travessia.
A Ponte Darcy Castello de Mendonça, também conhecida como Terceira Ponte, tem 3,3km de extensão e liga a capital a Vila Velha, maior cidade do Estado. Foi pensada e iniciada na época da ditadura militar.
Quem a pensou foi o governador Arthur Carlos Gherardt dos Santos, indicado na era Médice, e que, depois de sair do governo, ganhou a presidência da Companhia Siderúrgica Tubarão, que o regime construiu na Grande Vitória, a montante, no caminho do vento Nordeste, lançando sua poluição sobre a maior parte da Grande Vitoria, que hoje tem 1,6 milhão de habitantes.
A obra começou no governo seguinte, de Élcio Álvares, que havia sido deputado federal da base do governo da ditadura e ganhou o governo do Estado como recompensa por sua lealdade. Mas foi somente iniciada. Seu sucessor, Eurico Rezende, que havia sido líder do governo Geisel no Senado e ganhou o Palácio Anchieta como consolo, não mexeu na ponte.
Nessa época, quem quisesse sair de Vitória para Vila Velha só tinha como opção a velha Ponte Florentino Avidos, construída no início do Século XX com prioridade para a passagem do trem para o Porto de Vitória. Depois, foi adaptada para duas pistas de automóveis, mas o trilho continuava lá e, quando o trem passava, o trânsito fechava. Um caos.
Foi no governo de Gerson Camata, primeiro governador eleito, diretamente, em 1982, desde que os militares colocaram Francisco Lacerda de Aguiar para correr e começaram a indicar governadores indiretos, começando com Christiano Dias Lopes, em 1965, que a obra teve seu maior impulso. Mas não conseguiu concluí-la.
No governo de Max Mauro, a obra foi retomada, mas dinheiro não havia. A ponte havia consumido 130 milhões de dólares e faltavam 23,5 milhões para terminá-la (e imaginar que a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo custou mais de 500 milhões de dólares!!!!). Max Mauro resolveu chamar a iniciativa privada para concluir a obra, recebendo como troca a exploração, com cobrança de pedágio, por 10 anos.
Hoje, 25 anos depois, não fizeram nenhuma melhoria na ponte. Passam por ela 65 mil veículos por dia, com um pedágio básico de R$ 1,95 para carros pequenos. Nos dois sentidos, por 3,3km de utilização. Ou seja, o faturamento passa de R$ 130 mil por dia. E ai de quem tenta mudar as regras do jogo!!!
Quando a multidão “invadiu” a ponte hoje, na manifestação dentro do contexto nacional de protestos contra o estado de coisas que está aí, talvez involuntariamente, tomou posse daquilo que lhe pertence. E foi bater nas portas do governador socialista Renato Casagrande.
A propósito: nem uma grande de proteção, para evitar os suicidas no vão central, se dignaram a colocar. A ponte tem 2 pistas e recebe, pelo lado de Vitória, fluxo de veículos de três vias, que despecham nove pistas sobre duas. Pelo lado de Vila Velha, recebe fluxo de três vias, com oito pistas. Imaginem o caos!!!

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