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Caparaó: estudante de História descobre “guerrilheiro oculto”

30 de julho de 2013

José Caldas da Costa, jornalista

Há alguns meses, fui chamado no Facebook por um jovem estudante de História do Rio Grande do Norte, Flávio da Conceição, para falar sobre o livro da Guerrilha do Caparaó.

As redes sociais, hoje, têm grande alcance e nos permitem muitos avanços em termos de comunicação. Flávio havia lido meu livro e falou-me ter encontrado um ex-sargento do Exército que disse ter participado da Guerrilha do Caparaó sem nunca ter sido descoberto.

Isso não é improvável. Tive um vizinho, já aposentado como capitão, que foi promovido a sargento exatamente por causa do expurgo de praças pelo golpe militar de 1964. E, quando estourou Caparaó, comprou uma pistola de fabricação argentina e entregou a um outro sargento da ativa, que estava envolvido com o movimento, “para levar para o pessoal do Caparaó”.

Dificuldades de agenda e de projetos impediram-me de atender à “convocação” de Flávio da Conceição para que eu entrevistasse o sargento potiguar. Entretanto, com a paixão dos bons estudantes de história, Flávio entrevistou Jamiro Dias Oliveira no último dia 28 de junho de 2012, nas dependências do “Dragão do Mar”, e mandou-me o relato.

O que Jamiro fala combina com o que se ouviu dos outros participantes da Guerrilha do Caparaó. Tenho tentado saber dos outros se o conheciam, mas o relato é uma boa contribuição para os estudiosos. Dinorah Rubim, alegrense como eu, está fazendo seu mestrado em História e conheceu Flávio da Conceição. Certamente, poderá aproveitar também as informações do Jamiro.

Reproduzo alguns fragmentos da entrevista feita pelo Flávio com esse cearense de Assaré.  

 

Flávio – O nome do senhor é Jamiro Dias Oliveira, né? O Dias é da parte de pai?

Jamiro – De mãe.

FC: O Oliveira é da parte de pai.

JDO: É da parte do pai que não tem nada a ver. O Oliveira entrou aí como Pilatos entrou no credo, porque o meu pai a família dele é da família Callado de Pernambuco. O meu nome deveria ser Jamiro Dias Callado, mas naquela época a família Callado vivia em briga com outras famílias lá e de vez enquanto matavam um Callado por vingança, então ele resolveu esquecer o Callado e inventou esse Oliveira que não tem nada a ver.

FC: E a sua mãe era de Assaré, mesmo?

JDO: Era de Assaré mesmo, o Dias dela é Dias de Alencar.

FC: E o senhor é de?

JDO: 1934, aí viemos pra cá, eu comecei a trabalhar, estudar. Eu mesmo comecei a trabalhar com treze anos de idade com carteira assinada. Naquela época existia a carteira de menor de idade com autorização do pai e a solicitação da empresa podia assinar a carteira. O cidadão que era dono da empresa que eu fui indicado, a primeira coisa que ele perguntou foi se eu tinha carteira e eu disse “Não, eu não tenho senhor, Jorge.” [Disse o empregador] ”Então vai providenciar porque aqui ninguém trabalha sem carteira.”

FC: Outros tempos, né?

JDO: Naturalmente ele não era brasileiro.

FC: Outros tempos, né?

JDO: Não, era porque ele não era brasileiro, ele era húngaro.

FC: Isso em Fortaleza, né?

JDO: Aqui em Fortaleza, aí comecei a trabalhar e fui para o Exército… em 1955.

FC: E como o senhor chega a se admirar pelo Exército?

JDO: Foi uma questão de sobrevivência, porque eu ganhava, na época, um salário mínimo, a família era grande e o que eu ganhava entregava todo para o meu pai para a despesa. Na época aparece um folder com propaganda da Escola de Sargento do Exército “Seja sargento” e naquela época o salário mínimo era 690,00…

FC: Cruzeiros, né?

JDO: Cruzeiros, reis. O ordenado inicial do sargento era 5,100,00 e eu cresci os olhos naturalmente, fiz o concurso e passei, fui chamado. Embarquei daqui para Minas Gerais concluí o curso lá e mandaram-me para o Rio Grande do Sul lá na fronteira com o Uruguai, cidade de Guaraí. Lá eu fiquei quase três anos, tentando sair porque lá não tinha nada na cidade. Não tinha luz elétrica, não tinha calçamento, não tinha água encanada.

FC: Era no meio do mato, né?

JDO: Era, não tinha nada, na fronteira mesmo. A cidade terminava na fronteira do Rio Guaraí e você atravessava o rio já era a cidade de Artigas, no Uruguai.

FC: Agora, o senhor passou quantos anos em Minas?

JDO: Um ano.

FC: Agora, mais ou menos 1957 vai para…

JDO: É, em 1957 eu fui para o Rio Grande do Sul. Onde passou três anos tentando sair e não deixavam sair porque ninguém queria ir pra lá por conta da falta de efetivo. Até que eu descobri que tinha um cunhado meu que era sargento e estava no RJ e tinha feito também uns dois anos antes de mim a escola e era da Brigada Paraquedista. Aí eu escrevi uma carta pra ele dizendo que estava que queria sair e a situação lá não era nada bom e o comandante não deixava sair. Ele me respondeu que não precisa nem eu requerer oficialmente pelos tramites legais, bastasse que eu escrevesse uma declaração de próprio punho que era voluntário ao paraquedismo e botasse no envelope e mandasse num envelope que lá ele resolvia. E fez-se…

FC: Facilitou… [Risos]

JDO: É… [Risos]

FC: Até aí o senhor já estava como sargento?

JDO: Sargento. O comandante quando recebeu a notificação pelo rádio, na época, para eu me apresentar em Porto Alegre ele quase que me dava um tiro, mas eu ainda disse pra ele “Comandante, eu não tive culpa.” Eu sempre fui meio desorganizado, mas tinha umas coisas. Toda carta que eu escrevia eu botava um carbono e guardava uma cópia e essa inclusive que eu escrevi pra ele [cunhado], eu não tive culpa não, uma carta que eu escrevi para o meu cunhado, aí eu fui no meu armário peguei e disse “Está aqui ó, eu apenas disse que tinha vontade de sair daqui, mas infelizmente estava sendo praticamente impossível, porque estava sendo impossível e o Comandante com justas razões não deixava ninguém sair.” E disse “Está aqui a copia da carta que eu mandei. Naturalmente ele deu entrada lá no documento e me recomendou por lá, o problema foi dele não foi meu, eu não tive nenhuma responsabilidade nisso.” Ele disse “Tudo bem, é a ordem que você recebe para ir à Porto Alegre fazer os exames, mas lembre-se você vai fazer os exames ainda.”

FC: Risos…

JDO: Reze para passar…

FC: Risos… se não quando voltar o bicho pega, né?

JDO: É, se voltar o bicho vai te pegar. [Risos…] Felizmente eu fiz e passei… e fiquei lá na Brigada Paraquedista.

FC: No RJ, né?! Fica em qual região do RJ?

JDO: Bairro Teodoro, na Vila Militar. Eu fiquei lá até 1964.

FC: O senhor entra como paraquedista, mas como sargento?

JDO: Sargento, a carreira continua normal. Só que a carreira foi interrompida em 1964 por ocasião do golpe e que lá o comandante praticamente pediu uma definição de quem estava contra ou a favor. Eu e mais uma centena demos um passo em frente dizendo que nós estávamos do lado do presidente da República. Pronto, foi o suficiente para ele mandar prender todo mundo, abrir um inquérito, o IPM, que era o Inquérito Policial Militar e antes de concluir esse inquérito ele mandou todo mundo se apresentar ao Ministério da Guerra que não queria nenhum subversivo lá, daí todo mundo se apresentou no Ministério da Guerra e de lá espalharam… a mim coube ir para Salvador. Fiquei lá normalmente.

FC: O senhor foi preso como?

JDO: Não.

FC: Não foi preso?

JDO: Não. Fui pra lá normalmente como transferido, quando foi no mês seguinte começou a sair aquelas listas de cassações e numa delas eu fui incluído, expulso, sujeito as sanções penais que ainda possam vir. Foi decretada a prisão preventiva, aí me levaram preso para o RJ. Lá, eu conheci vários colegas de outros quartéis e do nosso mesmo na mesma situação.

FC: Na mesma situação.

JDO: É. Muitos deles já politizados eram militantes de partido de esquerda. Eu, até então, com toda sinceridade eu tinha lá minhas tendências, mas nunca tinha militado em partido nenhum, nunca tinha participado de coisa nenhuma.

FC: Mas essa tendência que o senhor diz… o senhor já tinha conhecimento…

JDO: Tinha eu lia… gostava de ler… então, eu tinha minha tendência socialista, esquerdista, mas nunca tinha participado de partido nenhum, de nenhuma agremiação. E na prisão em contato com os colegas aos poucos a gente vai se politizando melhor e vai se envolvendo e quando eu e mais alguns conseguimos sair da prisão por habeas-corpus que ainda existia na época, né! Nós conseguimos e fomos postos em liberdade.

FC: Só uma dúvida, esse pessoal que estava preso também era militar?

JDO: Militar.

FC: Mas eles eram de algum partido, por exemplo, Partido Comunista?

JDO: Alguns pertenciam ao Partido Comunista.

FC: Tinham outros partidos também?

JDO: Não, lá era o PCdoB ou o PCB.

FC: Dois partidos que mais…

JDO: Dois partidos que mais se destacavam… e lá eu li bastante… algumas literaturas que conseguiram entrar… com conversa e bate-papo eu fui me envolvendo politicamente, quando eu saí da prisão começou a perseguição. Primeiro não encontrava emprego, quando chegava a primeira coisa que pedia era a Carteira Profissional, eu não tinha, quando eu consegui entrar em algumas firmas, mas sabendo da minha vida preguessa  e sabiam que eu tinha sido cassado que era o pejorativo que usavam, subversivo cassado, quando eu voltava no dia seguinte estava dispensado.

FC: Não tinha como trabalhar?CONSEQUENCIAS

JDO: Não tinha. Ninguém dava emprego. E aos poucos nós fomos nos unindo em alguns grupos por questões de sobrevivência, precisava de alguma coisa a gente ia no comitê do partido que era clandestino. Tinha um partido o Partido Socialista que ainda não tinha sido fechado e existia por lá nos davam alguma assistência e quando a gente descobria a gente caia fora, às vezes, caia no mato para se esconder. E aos poucos foram formando grupos de guerrilha no RJ mesmo, a princípio de guerrilha mesmo, por uma questão de sobrevivência, tinha que se ligar a alguém, se juntar a alguém, porque a gente sozinho…

FC: Vulnerável…

JDO: Vulnerável… então tinha que se unir em grupos e a partir daí…

FC: Esses grupos eram no caso Partido Comunista, PCdoB ou são outros?

JDO: PCdoB. A nossa ligação era com o PCdoB… e daí em frente a gente começou a praticar algumas ações militares que eles chamavam de terroristas, mas mais por uma questão de sobrevivência…

FC: Mais para bancar…

JDO: Bancar a turma, as operações…

FC: Resistência…

JDO: Resistência…

FC: No caso essas ações para bancar os aparelhos?

JDO: Exato. Assalto a banco. E alguns sequestros. O que se fez… só Deus sabe o que fizemos nesse período.

FC: Mas o senhor chegou a participar de algum sequestro de embaixador?

JDO: Não, não. Só de assalto. Assalto a banco eu participei de dois ou três.

FC: Nesse momento o senhor vai para Caparaó ou é antes?

JDO: Não, eu não fui para Caparaó.

FC: Não?

JDO: Não… Alias ah, a guerrilha… eu estava com a cabeça virada para Araguaia…

FC: Risos.

JDO: Caparaó? Sim! Nós juntamos um grupo e fomos pra lá, lá nos reunimos. Praticamente, o que se fez lá foi tentar se organizar, não chegou nem a entrar em ação.

FC: O pessoal dizia que era grupo brizolista.

JDO: Era, um dos financiadores nosso era o Brizola.

FC: O pessoal dizia também que tinha cubanos.

JDO: Não, pelo menos que eu saiba, que eu saiba chegou auxílio financeiro. Agora, pessoas eu não tive contato com nenhuma.

FC: Naquela época costumava-se falar que era o modo como ocorreu como Sierra Maestra, o Guevara e o…

JDO: A nossa intenção era essa, era começar a desenvolver, aumentar o grupo e formar outros grupos em outros lugares, organizar ações de guerrilha propriamente dita contra as Forças Armadas.

FC: Isso daí foi em 1966?

JDO: É, a partir de 1966.

FC: Tem alguns nomes, eu não sei se… só pra relembrar…  é difícil fazer levantamento sobre esse pessoal. De Caparaó tinha o coronel Onofre Pinto, Amadeu Felipe da Luz…

JDO: Amadeu… esse aí esteve comigo…

FC: Esteve, né?

JDO: Esteve no meu grupo. Estive com ele tanto em Caparaó, como em Porto Alegre também. Em Porto Alegre nós tentamos um trabalho, mas não chegamos a entrar em ação, porque foi na época que tinha sido se desfeito o grupo de Caparaó, tinha sido cercado, quem escapou vivo caiu fora, uns abandonaram as operações. E um grupo nosso se organizou em Porto Alegre as operações para tentar operações por lá, mas que não chegaram, pelo menos nosso grupo, a atuar diretamente.

FC: Tudo isso vinculado ao PCdoB?

JDO: É… ao PCdoB. Teve um grupo lá do coronel Jefferson Cardim que ainda ensaiou uma guerrilha e andou tomando alguns quartéis, mas não foi em frente porque já estava mais ou menos dispersado e o trabalho não estava dando frutos.

FC: E a maioria desse pessoal de Caparaó e de Porto Alegre era a maioria militar, mesmo?

JDO: Era maioria militar. Lá tinha o Amadeu, tinha o Jelci Rodrigues Correia, é… eu cheguei a conhecer dois irmãos um tenente e outro capitão em Caparaó… os irmãos Moreira, inclusive um deles morreu na operação. Mas o tempo apaga um pouco…

FC: O pessoal dizia também que em Caparaó era muito difícil, muito íngrime por conta da serra, selva fechada.

JDO: Mata Atlântica fechada na época era meio difícil…

FC: Ficou muita pessoa doente também.

JDO: Mas como o grupo do Exército que foi pra lá era grande demais não havia a menor chance da gente resistir. A chance que a gente teve foi tentar escapar.

FC: Sobrevoaram também com helicóptero.

JDO: Foi… com aviões e bombardearam… eu sei que eu e um grupinho passamos uns 12 dias dentro de um buraco só botávamos a cabeça para fora à noite para ver o que tinha acontecido, quando vimos que o pessoal já tinha ido embora aí cada qual seguiu o seu caminho. Eu e outros fomos à Porto Alegre e não deu nada, aí voltamos. E eu vim pra Fortaleza.

FC: Mas de Porto Alegre o senhor volta para o RJ?

JDO: De Porto Alegre eu volto para o RJ.

FC: Por que a família ainda estava no RJ?

JDO: É… a família ainda estava no RJ. Então, eu fiquei uns tempos lá no RJ escondido e só aparecia em casa bem de precinha e caia fora.

FC: Por conta da perseguição?

JDO: É. Daí chegou um tempo que serenou… não procuraram mais e tudo, aí foi na época que eu vim embora para Fortaleza. Nessa época, eu estava sendo processado, respondendo um processo na Auditoria Militar.

FC: Essa época é final dos anos 1960 ou já é 1970?

JDO: Já beirando o 1960, 1968, 1969. Aí eu vim embora para Fortaleza aqui arranjei um emprego, trouxe a família e comecei a trabalhar.

FC: O emprego que o senhor arrumou era do que?

JDO: Foi num laboratório farmacêutico como propagandista. Aí quando foi em 196… não foi antes em 1970 eu fui condenado pela Auditoria Militar.

FC: Isso no RJ?

JDO: Pelo RJ. Fui julgado à revelia porque eu não estava lá, aí avisei pra firma, meu gerente, que eu tinha sido condenado, [o gerente disse] ”Enquanto você tiver livre continue trabalhando.” Continuei trabalhando e quando foi em 1974 mais ou menos, me prenderam aqui para cumprir a pena, aí eu passei uns meses ainda no 23° BC e de depois levaram-me para o RJ eu terminei de cumprir no presídio da Frei Caneca.

FC: Aí foi em 1970?

JDO: Foi.

FC: E o senhor ficou quantos anos preso ainda, RJ, no [presídio da] Frei Caneca?

JDO: No Rio… acho que nove meses.

FC: Aqui no 23° BC o senhor ficou quantos meses?

JDO: Quatro meses.

FC: O senhor sofreu alguma sevícia aqui, sofreu?

JDO: Sofri…

FC: E aqui no caso quem era de torturador que tinha aqui, no 23° BC?

JDO: Lá no 23° BC, não. Eles levavam para uma casa que eu não sei onde. Nunca descobri e andei sofrendo alguma, mas também não sofri muita coisa não. Sofri mais no RJ, lá na PE do RJ. Por aqui nessa época não tinha necessidade disso tudo, porque eu já tinha sido condenado, já estava preso, não tinha mais o que interessasse a eles. Lá no RJ terminei a pena e vim embora.

FC: Aí o senhor vem embora em 1971 mais ou menos?

JDO: É… 1971 eu vim embora.

FC: Aí o senhor esperou a Anistia?

JDO: É… esperei até 1979 quando veio a Lei da Anistia que deu a oportunidade para voltar para ativa se eu quisesse voltar para ativa ou ir para a reserva remunerada. Eu preferi ficar na reserva remunerada, porque para voltar para ativa teria que voltar na mesma graduação que estava na época. Eu era segundo-sargento, meus colegas segundo-sargento já eram tenentes, capitães e aí ficava chato pra porra, depois ainda estava sujeito à existência de vagas… eles iam mandar-me lá para o…

FC: Vai saber onde…

JDO: E aqui eu já era comerciante, já tinha um comercinho que dava para sobreviver, [por isso] eu preferi ficar na reserva remunerada.

(…)

A ENTREVISTA COMPLETA ESTÁ ARQUIVADA PARA POSSÍVEL FUTURO APROVEITAMENTO NUMA NOVA EDIÇÃO DE “Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura”.

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