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Gustavo Vieira eleito para presidente da Federação de Futebol; Geovani Silva é o vice

2 de julho de 2014

Além de ex-craque da Seleção, a vice-presidência tem empresário e um ex-árbitro do quadro nacional da CBF

José Caldas da Costa
Eleição na FES - Gustavo Vieira eleito presidente

Eleição na FES - Geovani Silva, Antônio Perovano , Gustavo Vieira e Júlio Peixoto

Filho de um dos principais economistas do Estado, o administrador de empresas e atual superintendente da entidade, Gustavo Vieira, 38 anos, único capixaba com Mestrado em Gestão Esportiva pela Fifa, é o novo presidente eleito da Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), depois de 20 anos de comando de Marcus Vicente, que deixa a entidade para assumir uma vice-presidência da Confederação Brasileira de Futebol, a partir de abril de 2015.
Gustavo foi eleito à unanimidade pela Assembleia Geral de Clubes e Ligas, reunida na manhã desta terça-feira, 1º de julho de 2014, no Hotel Golden Tulip em Vitória. Foram 31 votos favoráveis à chapa única e oito votantes faltosos: Vitória, Rio Branco, Aracruz, Linhares, Real Noroeste, Caxias e Liga Anchietense.
Junto com Gustavo Vieira foram eleitos, como vice-presidentes, o ex-craque da Desportiva, Vasco e Seleção Brasileira Geovani Silva, o empresário Antônio Geraldo Perovano, ex-presidente do Vitória, e o ex-árbitro do quadro nacional da CBF Júlio Peixoto.
A posse da nova diretoria está marcada para abril de 2015, mas pode ser antecipada. Marcus Vicente está licenciado da presidência da Federação, exercida pelo vice-presidente Willian Abreu, que presidiu a Assembleia Geral de escolha da nova diretoria.
Marcus Vicente, embora tenha sido quem colocou Gustavo como o atual superintendente da FES, garantiu que não terá qualquer interferência na nova gestão. “O Gustavo é competente e um novo quadro, para oxigenar o futebol capixaba”, disse Marcus. O presidente eleito disse que não dispensa o apoio de Marcus Vicente junto à CBF. “Nosso grande projeto é ter um clube capixaba subindo no próximo ano para a Série C do Campeonato Brasileiro para indicarmos este novo momento de nosso futebol”, disse Gustavo.
Marcus Vicente aproveitou para enfatizar a participação do Espírito Santo na Copa do Mundo do Brasil, recebendo duas seleções participantes. Ele enfatiza que a Copa de 2014 já é a de maior sucesso de público desde que o MUndial foi organizado pela primeira vez em 1930. Nesta entrevista, Marcus Vicente avalia o atual momento do futebol capixaba e seu futuro, bem como fala de seus projetos na CBF.

– Como começou o trabalho para a vinda de duas seleções da Copa para o Espírito Santo?
– Foi um trabalho árduo que começou no dia 31 de julho de 2011, no sorteio das eliminatórias da Copa na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O Ricardo Teixeira (então, presidente da CBF) me apresentou ao Ricardo Trade, que é o diretor executivo do Comitê Organizador local. O Ricardo Trade, por coincidência, é filho de um cachoeirense, para variar; a capital secreta do mundo tem um dedo importante nessa história toda. A partir daí começamos a trabalhar. A grande entrada do Espírito Santo no processo da Copa do Mundo para se habilitar a receber as seleções foi aquela organização do Congresso de CTs e Hoteis do Brasil. Foi o primeiro grande evento da Copa, organizado pela Fifa, quando os representantes de hotéis apresentaram 667 equipamentos aqui no Espírito Santo, no Centro de Convenções. O Espírito Santo se preparou para fazer bonito e fez. E eu dizia para os órgãos de segurança e parceiros do Governo que o Estado iria se apresentar com seu cartão de visitas, que saberia se organizar, com pontualidade, bom atendimento, segurança. O Espírito Santo mostrou sua habilidade, sua organização, seu calor humano, seu planejamento, de poder receber bem as delegações e, a partir daí, as coisas começaram a fluir normalmente.

– Qual foi a influência disso para a conclusão das obras do Kleber Andrade?
– Acho que acelerou. Sempre digo que vendemos dois projetos, porque não tínhamos os CTs prontos. Por incrível que pareça, a Arena Unimed-Sicoob não estava selecionada entre os CTs que receberiam seleções. De repente, eles resolveram parar lá, pela localização, para conhecer e pediram, surpreendemente, as obras e o Consórcio Sicoob-Unimed antecipou os investimentos de cinco anos para um ano e oito meses, diante da possibilidade de a Austrália, que já tinha escolhido o Espírito Santo, vir a adotar o antigo estádio da Desportiva para seus treinamentos. Habilitaram a Arena a ser palco dos treinamentos de uma das seleções no Estado e foi lá que a Austrália utilizou.

– Qual o legado que fica da Copa do Mundo no Espírito Santo, que, fora os Estados-sede, foi o Estado que mais recebeu seleções?
– Fica um legado extremamente positivo e importante para o futebol capixaba. Temos, na verdade, três bons palcos padrão-Fifa: o Estádio Estadual Kleber Andrade, considerado pela Fifa o terceiro melhor gramado do Brasil, é a mesma grama colocada no Maracanã, a mesma estrutura exigida para lá; o palco da Arena Sicoob-Unimed e, a pedido da Austrália, foi construído um outro campo, também padrão Fifa, no antigo tobogã do Engenheiro Araripe, uma arena com os mesmos padrões e mesma estrutura em sua base, pra aquecimento e treinamento de goleiros, e com isso criamos um palco novo e poderemos fazer ali todos os campeonatos de base, que a Desportiva poderá participar, e o Estadual feminino. E poderemos ainda poupar o gramado da Arena Sicoob-Unimed, que poderá ser utilizado somente para jogos profissionais que a Desportiva participar.

– Depois que tudo isso passar, como fica o cuidado com essas novas praças esportivas?
– O Kleber Andrade o Governo vai licitar uma ONG para gerir os negócios desse palco, que não é um estádio de futebol, mas uma arena multiuso. Evidentemente, que a essa ONG caberá dar as condições para que o gramado continue nas mesmas condições com qualidade. Na Arena Sicoob-Unimed as duas empresas vão procurar manter esse padrão para que possamos aproveitar pelos próximos 10 a 15 anos, que vai dar ao Espírito Santo palcos excepcionais para que o futebol capixaba viva um novo grande momento a partir de agora.

– Um dos grandes provocadores dessa situação, o China Park, acabou não se beneficiado diretamente com a hospedagem de uma das seleções, mas construiu um centro de treinamento com os mesmos padrões dos escolhidos. Como a Federação vê a possível utilização do China Park?
– Os investimentos do China Park são uma tradução do empreendedorismo do empresário capixaba. O Valdeir Santos acreditou no Projeto Copa do Mundo 2014, as obras já estão sendo positivas com a elevação do padrão do Park como um todo, o CT de lá tem todas as condições de receber pré-temporadas de qualquer time do Rio de Janeiro e São Paulo. Evidentemente, vamos tentar atrair para este equipamento todos os eventos para que ele possa se desenvolver, se ampliar, e dar destinação correta para o que foi criado, sem deixar de lado o cliente habitual, que passa a ter um equipamento daquele nível.

– Qual o aprendizado desse momento para a Federação de Futebol do ES?
– É o aprendizado do nivelamento por cima. Cabe aos dirigentes do futebol capixaba tirar as lições positiva da gestão da qualidade na recepção de patrocinadores e com isso devemos fazer up-grade no futebol capixaba. Acendemos uma luz de possibilidade para o futebol capixaba, através da inclusão do ES na Copa do Mundo. A vinda da Austrália e Camarões serve para mostrar para a população do ES, e acho que ela demonstrou isso, participando ativamente de todas as formas da recepção, que o povo capixaba sabe receber bem e dá muita importância à presença dessas duas seleções e com isso acolhe com carinho o objetivo principal proposto. Assim, acho que nossos dirigentes acordam para a consciência de que o ES tem possibilidade para ter futebol grande e sediar grandes eventos.

– Você acompanhou o processo de decadência do Rio Branco, até a venda do estádio para o Governo do Estado. Quais lições ficaram disso para os dirigentes de clubes capixabas?
– De que os clubes precisam, cada vez mais, se profissionalizar, seja aqui ou no Brasil e no mundo. Buscar alternativas de capacitação de gestores, não apenas no futebol, mas em todas as federações de todas as modalidades. A venda do estádio Kleber Andrade para o Governo do Estado é uma lição de que os clubes precisam ser geridos com competência e gestão moderna, para que seu patrimônio seja preservado.

– Um grande estádio como esse somente o poder público pode gerir?
– Não, hoje o Palmeiras está construindo sua Arena com uma empresa privada, que já tem eventos marcados pelos próximos 15 anos. Uma arena multiuso e esta é a destinação que deve ser dada ao Kleber Andrade, para que possa haver eventos todos os dias, semanas, meses e anos. O Palmeiras é um exemplo típico, porque 90% da arena deve ser utilizada por atividades que não sejam futebol, mas culturais, de negócio, feiras e eventos, e será também utilizada para futebol. Esperamos também que a Arena Vitória, que a Sá Cavalcanti vai construiu junto com um shopping em Bento Ferreira, na capital, seja nesses moldes do Palmeiras e assim oferecer ao ES mais uma possibilidade. O futebol tem que ser olhado como negócio. Não só como paixão, mas com a razão, com equilíbrio, buscando aliar a imagem do clube e do jogador ao negócio futebol.

– O novo Kleber Andrade e a Arena do Engenheiro Araripe, utilizados por Camarões e Austrália, são o início da redenção do futebol capixaba? Como aproveitar essa nova estrutura?
– Além da estrutura, que é importantíssima, porque vendemos dois projetos e não duas realidades, como a Toca da Raposa e o CT do Atlético Mineiro, que já estavam prontos e só foram adaptados, no nosso caso vendemos papel, vendemos um sonho, acho que não é só esse legado que fica, mas o exemplo de que o Espírito Santo tem capacidade de sonhar, buscar, e se articular, objetivando seus grandes sonhos. Esse é o grande legado: nós somos capazes, nós podemos. Podemos imitar o slogan americano: “Yes, we can!”. Podemos sempre virar a página da história, não só para construir centros de treinamento, mas sobretudo no sonho e na capacidade que temos de realizá-los. Se temos capacidade de ser o 6º Estado na economia, temos capacidade também de realizar esses grandes feitos.

– Quais caminhos devem trilhar os dirigentes de clubes, agora, para aproveitar esse legado?
– Que fique de exemplo para todos nós. Que podemos superar dificuldades e deficiência, fazer com que a credibilidade retorne ao futebol capixaba e, com isso, as empresas coloquem seus nomes para veicular no futebol, seu produto, seu negócio, A lição, então, é que nós podemos, e nós podemos conseguir.

– Depois de 20 anos, você já anunciou que está deixando a presidência da FES. Considera a missão cumprida? Qual sua auto-avaliação de sua gestão? Como você responde aos críticos em relação ao descenso do futebol capixaba para as posições mais inferiores do futebol brasileiro?
– O futebol capixaba na arbitragem está nas séries A e B. Toda semana nós temos, só na Série A e B, de 8 a 10 árbitros e assistentes trabalhando no campeonato brasileiro. Fora as séries C e D, onde chega a 16 ou 17 árbitros toda semana. Então, acho que o que falta é gestão, que precisa ser aprimorada, preparada e qualificada, pois então nós vamos conseguir. Acho que a história da Desportiva, retomando seu patrimônio, trazendo Sicoob e Unimed para dentro de seu negócio, construindo uma Arena, que se transforma numa empresa para ir ao mercado buscar o seu patrocinador para se transformar numa atividade lucrativa, isso é o maior exemplo de que nós temos que acreditar. E o próprio Vitória Futebol Clube. Então, dentro de campo será o resultado do que foi construído fora dele. Não há resultado em campo que não seja construído fora dele, com eficiência, qualidade e gestão, buscando o profissionalismo, as categorias de base como instrumento de alimentação das categorias profissionais. Então, deixamos esse legado de fazer futebol durante 10 a 11 meses no ano, com 14 competições oficiais, sendo três profissionais e 11 amadoras. Temos uma Copa ES que preenche o calendário profissional no segundo semestre, uma Sub-17 nacional que é considerada pelos grandes clubes brasileiros a melhor competição sub-17 anos do Brasil, pela qualidade, pela eficiência com que recebemos e tratamos as equipes de fora, e a oportunidade que temos de mostrar ao futebol brasileiro o potencial que nossas categorias de base têm no ES. O legado que deixamos valeu a pena sim, e se eu tivesse de começar tudo outra vez eu começaria. A Federação de Futebol hoje está extremamente preparada. Funciona igual a um relógio suíço, existe gestão, temos todas as certidões, o que é obrigação de toda e qualquer empresa, um quadro de funcionários enxuto e a visão de ir ao mercado mostrar o futebol como um negócio. Temos uma empresa que trabalha para a Federação para preparar esses projetos e ir ao mercado. Então, o que precisa é unirmos mais força e a presença do Governo do Estado hoje apoiando os clubes do futebol capixaba mostra o quanto é importante, nesse momento da virada, o Governo dar sua contribuição e aí eu trago como gratidão nossa a presença e participação do governador Renato Casagrande nesse momento.

– Então, eu posso entender que a valorização de nossos árbitros é um contraponto à desvalorização dos clubes. Por que os árbitros subiram e os clubes desceram?
– A Escola de Árbitros Gabino Rios existe há 52 anos. Ela forma os nossos árbitros com competência. Somos a única Federação do Brasil que faz duas temporadas por ano, uma janeiro e outra em julho, no China Park com todas as condições de hotel 5 estrelas. E temos em janeiro a Temporada Rap Fifa, que começa na segunda e vai até o sábado. Isso mostra a visão que a Federação tem em relação à arbitragem, que a ela compete preparar e oferecer ao Brasil e à Fifa. Com isso, nossa arbitragem se destaca com muita presença no Campeonato Brasileiro. Como no ano passado, quando o Marcos André apitou em 13 jogos da Série B do Brasileiro, o que mais trabalhou; o Fabiano Ramires trabalhou como assistente em 23 partidas do Brasileiro nas séries A, B e C. Isso mostra a capacidade que o ES tem de formar e capacitar seus árbitros. E quando o Banestes vem patrocinando a camisa dos árbitros e nós fazemos questão de colocar no contrato que esse patrocínio será usado, integralmente, para a qualificação da própria arbitragem, isso devolve ao árbitro que aquilo que ele carrega em seu peito, uma propaganda comercial de um banco de todos nós, que é o Banestes, mas devolve ao povo do ES o orgulho de ter uma arbitragem no nível do futebol brasileiro.

– Qual é o futuro do futebol capixaba em geral?
– O futuro do futebol capixaba é o futuro muito promissor, da economia brasileira. Principalmente neste momento em que o Estádio Estadual Kleber Andrade e a Arena Unimed-Sicoob entram no fluxo dos grandes palcos, e já a Copa ES deste ano será decidida no Kleber Andrade, não importa quem esteja na final, acho que a partir desse momento temos certeza absoluta de que o futebol capixaba tem um futuro muito promissor. Essa é nossa grande esperança, porque tendo visibilidade e beleza na apresentação da televisão aberta, o patrocinador vem para o estádio e para a camisa e a roda começa a girar. E o clube, é o produto, é a camisa, é o consumo, é a televisão.. então, com certeza teremos mais investimentos e, com isso, chegaremos a patamares bem melhores no calendário do futebol brasileiro.

– Há nos clubes dirigentes conscientes desse novo momento e prontos a aproveitá-lo?
– Não tenho dúvidas. Podemos citar vários clubes, mas podemos ser injustos. Mas temos o exemplo do Real Noroeste, um investimento totalmente privado, de um dirigente que ama o futebol, e vê no futebol um grande instrumento de transformação social. A própria Desportiva Ferroviária, o próprio Rio Branco, que mesmo não tendo mais seu estádio, mas dá uma virada importante na página de sua história; o Estrela do Norte, agora o Vitória com a Arena Vitória com a Sá Cavalcanti. Isso tudo dá uma visibilidade de que o futebol capixaba é viável como negócio e economicamente vai ser muito proximamente viabilizado.

– Saindo da Federação, qual é o seu futuro pessoal?
– Sou pré-candidato a deputado federal e coloco meu nome à disposição do povo do ES. Acho que ainda posso servir ao meu Estado e meu país, através de um mandato, legitimamente conquistado nas urnas, espero voltar à Câmara dos Deputados no próximo ano.

– E no futebol, qual seu futuro?
– Vou para a CBF a partir de abril de 2015. E lá espero poder contribuir sob a liderança do presidente Marco Polo del Nero para que o ES possa crescer, mas não posso pensar só no ES. O futebol brasileiro tem muito para crescer. Podemos saltar de 0,2% do PIB brasileiro para 1,1% se chegarmos, nos próximos 10 anos, num patamar de um Barcelona na eficiência e na qualidade de sua gestão; pode saltar de 360 mil empregos diretos mais de 2,130 milhões de empregos; pode saltar de 12 bilhões de arrecadação por ano para 63 bilhões de reais. Então, tudo isso será buscado através de um modelo de gestão, junto com a Fundação Getúlio Vargas e a Fundação Dom Cabral, em convênio com a CBF, de oferecer a todos os Estados brasileiros, através das Federações e dos clubes profissionais, um modelo de gestão, um MBA em Gestão de Futebol, a exemplo do que a Fifa faz, preparando seus dirigentes. Minha ida para a CBF tem esse viés. Sem isso, eu não teria nenhuma vontade de continuar contribuindo com o futebol, mas com esse desafio acho que posso dar minha contribuição, em nome do meu Estado, e, evidentemente, levando meu Estado junto, para que cresça junto com o Brasil, mas no futebol brasileiro temos ainda um espaço muito grande de crescimento econômico e social.

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