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O nu falando do mal vestido

24 de outubro de 2014

Por José Caldas da Costa (40 anos de jornalismo)

O nu resolveu pegar a roupa suja do mal vestido e lavar publicamente, diante das câmaras de televisão, em horário gratuito para eles, mas pago com o meu, o seu, o nosso suado dinheiro. É assim que se pode resumir a campanha eleitoral, que está chegando ao seu final, para deixar um País muito mais dividido do que antes, nas casas, nas igrejas, nas escolas, nas ruas, campos, construções e nas redes sociais.

Nem de longe a campanha eleitoral para Presidente da República, pelo menos no segundo turno, se aproximou daquilo que se esperava de dois candidatos a comandar uma das maiores economias do mundo – já que é assim que nós, seres humanos, somos vistos na era contemporânea, uma célula de produção econômica. Talvez se agíssemos diferente enquanto povo eles parariam de olhar apenas o nosso CPF.

Pegaram um saco cheio de farinha, despejaram em cima da mesa e resolveram dizer que uma parte é boa e outra é ruim. A humanidade parece mesmo disposta a se dividir em banda boa e banda podre, sempre, embora sejamos todos oriundos do mesmo ambiente. Somente se conhece uma árvore pelos frutos que dá e, sinceramente, as duas árvores que estão diante de nós não nos dão frutos que cheguem a nos dar água na boca.

De repente, o Brasil descobriu um grupo usando a mesma armadilha de que foi vítima há 12 anos, de lama até o pescoço, mas querendo demonstrar que o barro é apenas uma ilusão de ótica, e que, na verdade, suas vestes são alvas como o algodão mais puro. Do outro lado, o outro grupo, que parecia condenado aos sarcófagos, renascer qual uma múmia saindo da sepultura para salvar o mundo.

A democracia permite isso. Mas podemos depurá-la pelo voto racional, que, infelizmente, ainda parece um sonho muito distante para nós.

O fato é que, na segunda-feira, vamos ter que nos assentar ao lado daquele colega que ofendemos nas redes sociais, somente porque pensava diferente, e trabalhar para defender o sustento de nossas famílias. Vamos ter que visitar aquele cliente que viu nossa mal educada postagem, o compartilhamento que fizemos de ofensas pela nossa rede social, e que não gostou nada daquilo, e vamos querer ser simpáticos para vender nosso produto.

O fato é que, no final do mês, quem vai pagar a conta é cada um de nós. Aliás, daqui a quatro anos estaremos pagando a conta das eleições deste ano ainda. E o Brasil será melhor ou pior, não porque Dilma ou Aécio o preside, mas porque cada um de nós fez sua parte.

Eu não anulo meu voto, e nem voto em branco. Posso decidir mal, mas decido. E cobro depois. E você?

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