Skip to content

A reforma da Previdência do Temer

27 de março de 2017

Resultado de imagem para velhinhos

Foto: Fernando Young

José Caldas da Costa

Leio coisas as mais díspares sobre a tal reforma da Previdência do Temer. Nem entro nessa questão de golpismo ou não golpismo para que ele chegasse aonde chegou, ou da legitimidade de seu Governo, uma vez que era o vice-presidente constitucional.

Posso duvidar, entretanto, que ele tenha chegado “limpo” em meio ao mar de lamas que cerca a política nacional, notadamente a partir de 1996, quando foi aprovada a emenda da reeleição.

As contas feitas pelo Governo para nos provar que precisa fazer a tal reforma não batem com outras contas, como, por exemplo, a capitalização de nossas contribuições ao longo de 30 a 40 anos e o valor que, efetivamente, vamos receber no que nos resta de vida, a partir da aposentadoria.

Parece-me, e não estou fazendo piada, que essa gente do Governo atual agradece aos céus quando alguém morre até os 74 anos, expectativa de vida atual do brasileiro. Quero avisar que, se depender de mim, vão ter que me aturar até os 150 anos, lúcido e espezinhando com minhas postagens nas redes sociais e, se me derem chance, em espaços como este aqui.

A última que ouço é do confisco das pensões por viuvez. Imaginem meu exemplo: casei com 22 anos, estou fazendo 35 anos de união – com a mesma mulher. Eu me aposento, minha mulher se aposenta e, finalmente, vamos poder viver um pouco com o fruto de nossas contribuições para o Fundo da Previdência.

Nossas contas do tempo de contribuição nunca batem com as deles, porque muitas vezes somos ludibriados, ao longo do caminho, por gente inescrupulosa, que não cumpre com suas obrigações legais e prejudica o final de vida dos outros. Mas deixa que eles se acertam com o tribunal divino, já que conseguem evitar os tribunais humanos.

Muito bem. Eu e minha mulher juntamos nossas aposentadorias e vamos viver mais tranquilos, num canto qualquer. Bato as botas, como dizia minha mãe, e minha mulher não mais vai receber minha pensão? É isso mesmo que ouvi? Que dona Euzi vai ter que optar pela aposentadoria dela, bem menor, ou ficar apenas com 70% da minha. Não querem que a aposentadoria do viúvo se acumule com a pensão oriunda da aposentadoria do falecido.

Olha, acho que Hitler, antes de morrer na Alemanha, andou fazendo filhos por aqui, porque isso é pior do que nazismo ou limpeza étnica. O sistema, através de seus subjugados, trata de se livrar do entulho social, dos que “não produzem mais”. Isso é ético?

Tenho que conviver com a desfaçatez de um megaempresário confessar, perante a Justiça, que sua empresa corrompe agentes públicos desde que o mundo é mundo e sai de lá rindo da nossa cara.

Agora, convenhamos: roubaram não apenas nosso ouro, nossas florestas, o dinheiro gerado pelo petróleo, o dinheiro produzido pelas mais altas, repugnantes e indecentes alíquotas de impostos do mundo (sem retorno em serviços). Roubaram nossa inocência, nossa dignidade e agora querem roubar nossa vida.

E imaginar que essa gente saiu dentre nós e escolhida por nós. Escolhemos igualzinho a gente escolhia os grãos brocados de café nos imensos tabuleiros de madeira dos enormes armazéns de minha já distante infância na minha Alegre, na região do Caparaó.

A diferença é que nos tabuleiros de cata de café a escolha era para descartar, mas nas urnas a escolha é para destacar e nos comandar. Que lástima!

José Caldas da Costa é jornalista e geógrafo

(Artigo publicado na coluna Tribuna Livre, de A Tribuna (ES), edição de 25.03.2017)

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: