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O rei está morto. Habemos rei!

16 de julho de 2018

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Ricardo e Magno podem fazer dobradinha para o Senado

Trair e coçar é só começar, já diz o ditado popular. Na política, então, não precisa nem coçar, que trair é uma arte a ser desenvolvida somente pelos experts. A regra é clara, já diria Arnaldo César Coelho: poder não se entrega, se conserva. Ao menor vacilo, mesmo do melhor dos jogadores, e os danos podem ser irreparáveis.

O que os observadores do mercado político capixaba se perguntaram nesta segunda-feira foi: “Paulo traiu ou foi traído? Está fora ou está dentro? Abdicou ou apenas fez um teste com os aliados?”

A fase é de definir coligações e alianças para o período convencional visando ao registro das candidaturas para as eleições 2018, mas o final de semana foi intenso.

O domingo teve de tudo. Amaro Neto havia se antecipado e anunciado que não disputaria o governo. A bola dividida ficou com o senador Ricardo Ferraço, mais propenso a sair para a reeleição do que à governança. O atual vice, César Colnago, se apresentou para o “sacrifício”.

A questão passou a ser: qual a chance real de Colnago? A menor entre os três potenciais candidatos, parece um consenso.

Então, o domingo correu com o PSD antecipando a divisão na base governista, com um conflito de opiniões entre o deputado Enivaldo dos Anjos e o presidente do partido, Neucimar Fraga, que tenta apagar o fogo nesta segunda; e terminou com Amaro de volta à candidatura a governador e Ricardo a senador.

Mas ninguém dormiu, ou quem dormiu foi com um olho aberto e o outro fechado. E na segunda de manhã novas emoções: Amaro desistiu de novo de ser governador e, para complicar, correu para a chapa da senadora Rose de Freitas (PODEMOS).

Por outro lado, o PSDB de Ricardo Ferraço correu para o lado de Renato Casagrande, visto, a estas alturas, como potencialmente eleito com 70% dos votos. E lá formará, até segundo ato, dupla ao Senado com Magno Malta (PR). Bom lembrar que o DEM, do deputado Theodorico Ferraço, pai de Ricardo, continua lá com o PSB.

E, com sua ida, Ricardo ainda levou junto os dois aliados de primeira hora de Paulo Hartung, César Colnago (PSDB) e Lelo Coimbra (MDB), para comporem a chapa para a Câmara dos Deputados. Isso se confirmando, difícil imaginar que não tenha mão peluda por trás da manobra.

Maior “samba-do-crioulo-doido” não poderia haver. Dizem que o governador ficou em casa deprimido por tanta falta de consideração com ele. Ora, se é mesmo isso, é bom lembrar que ele, Paulo, foi quem chamou o pessoal para o descer ao play. E, pior: anunciou, a menos de 90 dias do pleito, que não será candidato à reeleição e vem reafirmando isso em entrevistas.

Deixou com a brocha na mão sua base política. E nem deu direções. Logo, prevaleceu a “Lei Murici”: cada um cuida de si. Rei morto, rei posto. Habemos rei!

Há quem aposte que teria tudo sido uma manobra de Hartung para testar a lealdade do grupo e que, nesta terça-feira, baixa nele o espírito de Dom Pedro I e ele reaparece candidato. “Diga ao povo que fico”.

Será?

Esta é a tese defendida pelo PSD, o primeiro partido da base a “denunciar” que a fissura havia evoluído para fratura, ainda na tarde de domingo.

Tudo é possível, mas, se antes a situação eleitoral dele contra seu antecessor Renato Casagrande já não era boa, um eventual retorno agora será com as fraturas expostas e um desgaste ainda maior. Pode ser fator de integração, mas pode também render efeito inverso.

Abriria mão Hartung do protagonismo na eleição nacional para buscar manter o poder estadual em suas mãos?

Ainda que veteranos da política acreditem que, mesmo ele tendo se precipitado na renúncia à reeleição, não vai querer abrir mão do poder regional, ganha corpo a tese de que, cada vez mais, a preocupação do governador capixaba é em se projetar para uma carreira de ministro – com Geraldo Alckmin (PSDB) ou Ciro Gomes (PDT).

Neste caso, vai sobrar ego lustrado na corrida eleitoral. E o ego é um grande inimigo do êxito, principalmente quando se está tratando com grandes águias políticas.

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Eleições 2018: PSD diverge, Enivaldo defende neutralidade

15 de julho de 2018

Na medida em que Renato Casagrande (PSB) amplia fronteiras, a fissura provocada na base aliada pela desistência do governador Paulo Hartung (MDB) já se projeta como fratura, expondo divergências, como a que acaba de ser verificada no PSD.

O  secretário geral do partido, deputado Enivaldo dos Anjos, quer toda a Executiva participando da discussão sobre alianças para as eleições majoritárias e se queixa de que o presidente da legenda, Neucimar Fraga, quer articular sozinho para colocar o PSD apoiando a candidatura do vice-governador Cesar Colnago, pelo PSDB.

“A escolha deve ser apreciada pela Executiva toda e acho que o partido tem que primeiro fazer a coligação na proporcional e não ficar sendo engolido pelo PSDB , que nada tem a acrescentar na coligação proporcional. O certo seria manter a coligação proporcional com os partidos PRB, PROS e PSD, em torno do Amaro Neto para o Senado”, disse Enivaldo.

No entendimento do deputado, uma outra opção seria esses partidos saírem independentes para a eleição, sem apoio oficial a governador. “O PSD deve cuidar das proporcionais e não ficar se metendo na majoritária“, finalizou Enivaldo.

Estava na cara: o governador não preparou ninguém para esse momento. No processo, ele vai dar um jeito de proteger seu grupo original e os-outros-que-se-danem-futebol-clube. O senador Ricardo Ferraço (PSDB) é o maior prejudicado.

Enivaldo é aliado de primeira hora de Ricardo e, além disso, se estranha com Cesar Colnago desde sempre, principalmente por interesses políticos no norte  do Estado. São Mateus, onde Colnago “segura” no cargo um prefeito cassado pela Justiça Eleitoral, é um dos principais centros de divergência entre Enivaldo e César.

Evidência de que Colnago terá o palanque para Geraldo Alckmin, o presidenciável tucano, no Estado. Depois, se vê.

Geopolítica: As ‘causas universais’ contra o Estado Nacional

13 de julho de 2018

Até que ponto as questões defendidas por alguns representantes de “causas morais e éticas”, que tão bem soam aos nossos ouvidos, não estão, na verdade, a serviço de interesses de outras nações? Se o poder é aético, apolítico e amoral, o Estado nacional está condicionado à ética e à moral de parte de seus nacionais ou o interesse geopolítico nacional deve ser considerado antes de qualquer um desses “valores” pessoais? Esta é uma discussão apresentada nesta profunda análise, com diversas comprovações históricas de interesses de Estado colocados acima de interesses da ética e da moral. Esta é uma contribuição ao debate do atual momento brasileiro, considerando que a verdade não tem um único dono. (Do Editor)

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Banco do Vaticano: típico exemplo da ação aética e amoral do Estado por interesses políticos (Foto: ACI Digital)

Por André Araújo (GNN)

Foram os EUA que, ao fim da Primeira Guerra Mundial, inauguraram a Era das causas
universais, contra a soberania dos Estados Nacionais, poupando desse combate seu próprio Estado.

Em artigo específico sobre esse tema tratei do papel do Presidente Woodrow Wilson na
propagação desse princípio de “causas” contra “Estados”. Wilson foi o primeiro Presidente “politicamente correto” dos Estados Unidos e seu ativismo missionário foi um desastre completo de politica externa, podendo-se dizer que ele foi um dos que plantaram as sementes da Segunda Guerra, através de seu idealismo tosco e tolo, sua visão fantasiosa da Historia e seu iluminismo mal colocado e mal aplicado.

Wilson foi o grande maestro do Tratado de Versalhes, o pior acordo diplomático da História contemporânea. Tão ruim que sequer o Congresso do seu próprio País o ratificou. Compare-se o Tratado de Versalhes de 1919, que durou formalmente 20 anos, mas efetivamente deixou de ser aplicado após 1933 (portanto sua vigência real foi de 12 anos, após 1933 sua validade foi enfrentada pelo nazismo), com outro grande acordo histórico, a Paz de Viena de 1815, que durou 99 anos, obra de magistrais realistas da verdadeira politica, o Príncipe de Metternich e o Príncipe de Talleyrand, estadistas de berço e escol que sabiam operar a História e não viviam de ilusões moralistas.

AS CAUSAS E OS ESTADOS NACIONAIS

Uma “causa” moral é fundamentada na ética e seus ativistas a consideram acima da
politica. Para eles, a causa tem um valor superior à noção de Estado e assim deve ser entendida e aplicada. Wilson, por exemplo, entendia que os “protocolos secretos” nos tratados diplomáticos não deveriam existir e que todos os artigos e disposições de um tratado deveriam ser revelados aos cidadãos. É uma grande estupidez. Há inúmeros temas em negociações diplomáticas que devem permanecer secretos para sua própria eficácia.

Wilson abraçava a “causa da transparência”, uma virtude sempre benéfica para ele.
Wilson criou imensos problemas nas suas desastrosas intervenções na Conferência de Versalhes e a conta dessa fantasia explodiu em Setembro de 1939. A marca de ação de Wilson foi a prevalência das “causas” sobre o realismo politico, que Wilson considerava corrupto e imoral. Ele achava que os europeus praticavam uma política de safadezas e engodos resultante da decadência moral que vinha de longe, enquanto que ele, Woodrow Wilson, representava a pureza dos peregrinos que formaram os Estados Unidos.

Por isso, pode-se considerar Woodrow Wilson o pai da doutrina política das causas universais, que tem um valor superior às soberanias que, segundo Wilson, são a fonte do mal que levou à Grande Guerra de 1914.

Conquanto a Doutrina Wilson possa ser considerada altruísta em termos filosóficos, ela sempre foi desligada da realidade geopolítica, e a tentativa de introdução de modelos não realistas produz resultados muito piores do que os pecados que visa extirpar. A luta pela causa produz mais males do que o mal primitivo.

O ESTADO NACIONAL E SUAS RAZÕES NÃO MORAIS

Desde a criação dos Estados Nacionais entre 1460 e 1610, esses entes aéticos usam de todos os instrumentos de poder à sua disposição, como usavam os nobres e senhores feudais antecessores dos Estados em suas intermináveis lutas por territórios e riquezas. Um Estado não sobrevive a partir de purezas e bondades neutras, contra o que há na razão de Estado.

Os Estados grandes usam a espionagem como instrumento de poder e essa ação, na sua origem e prática, envolve largamente a corrupção pelo Estado – os espiões são subornados em beneficio de um Estado que geralmente não é o seu. Os Impérios foram formados em grande medida por compras de lealdades nos territórios a conquistar.

Assim, a Inglaterra conquistou a India, o “Raj”, aliciando os marajás e rajás – foi mínima a ação militar no subcontinente, valia a adesão comprada e assim foi até a Independência em 1947; na China, a influência britânica no período entre a Guerra dos Boers e a fundação da República, em 1911, foi financiada com venda de ópio aos “warlords”. Territórios e concessões eram compradas, como Hong Kong. Como negócio, a área de soberania extra territorial de Shangai era a própria confissão da compra.

Em tempos modernos, como encarar a soltura do maior chefe mafioso dos EUA, Lucky Luciano (Salvatore Lucania), muito mais importante que Al Capone, cumprindo pena de 50 anos na Penitenciaria de Sing Sing, a pedido da Inteligência Naval americana, para que o mafioso fosse um “batedor” na invasão da Sicília, pelas suas rede de ligações na sua terra natal?! Como guia, Luciano pouparia vidas de soldados ao aliciar colaboradores por trás das linhas alemãs, servindo como “abre alas” das tropas do General Patton.

Soltar Luciano era absolutamente imoral, mas RAZÕES DE ESTADO prevaleceram sobre a lógica do sistema judiciário; um interesse maior de Estado se sobrepunha. Luciano prestou os serviços para os quais foi contratado pela Marinha e foi pago com a comutação da pena em 1948, assinada pelo Governador Dewey, de Nova York, com a condição de não mais voltar aos EUA.

Luciano, livre depois da Guerra, teve ainda grande atividade criminosa como chefe de uma das cinco famílias, e teve tempo para montar a grande rede de casinos em Cuba que controlou até a Revolução Castrista, morrendo de morte natural em Nápoles em 1962. O arranjo do Estado americano com Luciano foi absolutamente imoral e aético, mas prevaleceram as razões de Estado.

A CAMPANHA ANTICORRUPÇÃO NA AMERICA LATINA

Um caso clássico do confronto entre “causas” e razões de Estado.; instala-se uma Associação Ibero Americana de Ministérios Públicos, declarando ser a união de 21 MPs de países do Continente e abre campanha internacional anticorrupção, com aceitação de denúncias e troca de informações entre Ministérios Públicos. É um confronto absoluto entre “causas” e razões de Estado.

Vamos ao exemplo da “realpolitik”.

O Governo Brasileiro tem, em um país vizinho, um Chefe de Estado alinhado com os interesses do Estado Brasileiro. Esse Presidente dá preferência a empreiteiras brasileiras para seu grande programa de obras públicas. O Estado brasileiro tem todo o interesse na permanência desse Presidente, porque ele atende aos interesses do Brasil. Mas sai do Ministério Publico brasileiro documentação colaborativa que pode criar condições para um impeachment desse Presidente de país vizinho por ter recebido doação de campanha de empreiteira brasileira.

Para o Governo brasileiro, a queda de um Presidente aliado vai contra os interesses do Estado brasileiro; essa “colaboração” do MP brasileiro com seus colegas do País vizinho vai contra as razões de Estado do Brasil; não pode acontecer porque o Brasil NADA GANHA com a queda desse Presidente, só perde e muito. Essa seria uma situação de “realpolitik”, mas não está sendo operada pelo Brasil como Estado.

O MP brasileiro colaborou para derrubada ou desgaste de Presidentes e políticos de países vizinhos e da África alinhados com os interesses do Estado brasileiro, grave erro de geopolítica.

O que o Brasil GANHOU em colaborar para a derrubada de políticos amigos?Absolutamente nada. Então, por que o fez? Porque o Estado brasileiro perdeu completamente o controle de sua projeção de poder geopolítico, permitindo o desgaste e, portanto, o enorme prejuízo de desmonte de posições politicas e econômicas em grande número de países, conquistadas por suas empreiteiras e marqueteiros políticos operando em aliança para apoiar eleição de presidentes alinhados ao Brasil, um modelo engenhoso que foi implodido em nome da “causa’ universal anticorrupção, mas com enorme perda para os interesses estratégicos do Brasil.

Um Estado patrocina interesse nacional e não causas universais, que JAMAIS SÃO NEUTRAS. As causas servem como arma política a todo tempo. Não importa a intenção inicial de seus patrocinadores, causas podem atingir alvos imprevistos pelas suas boas intenções iniciais.

As causas “anticorrupção” são as menos neutras entre todas, porque seus efeitos
POLÍTICOS são imediatos e concretos, mudam as peças do jogo do poder e com isso mudam o resultado da disputa política no mundo real. O manejo dessa causa gera imenso poder político. A causa nunca é neutra, mesmo que essa seja a intenção de seus patrocinadores.

No Brasil, os beneficiários dessa causa foram, em larga medida, os Estados Unidos e seu arco de interesses geopolíticos, financeiros e corporativos. O enfraquecimento da PETROBRAS se deu por causa da escandalização dos desvios e não por causa da corrupção. Esta sempre existiu na Petrobras, como em quase todas as estatais petrolíferas do mundo, mas essa falha moral já estava precificada pelos mercados.

A superescandalização provocou ações de acionistas minoritários nos EUA e uma série de multas e indenizações ainda não terminadas. Esses processos custarão muito mais que as propinas, incluindo a colocação de monitores americanos do Departamento de Justiça dentro da Petrobras. A perda de independência da empresa é absoluta. Para todos os efeitos práticos, a Petrobras é governada de fora.

O pior resultado da campanha de “causas morais” foi a preparação de condições para duas grandes operações de desmonte do Estado e do sistema econômico brasileiro: a
“privatização branca” da Petrobras pela venda de ativos sem licitação e contra a lógica
estratégica, provocando a DESINTEGRAÇÃO da petroleira – sendo a integração o padrão da concorrência – e, em segundo lugar, a venda de grandes blocos do PRE-SAL, perdendo o Brasil a garantia de auto suficiência em petróleo. Uma vez o petróleo extraído dos blocos vendidos, pertence a seus novos donos e poderá ser comercializado no mercado internacional, perdendo o Brasil sua garantia de abastecimento, QUE ERA A RAZÃO DO PROJETO PRE SAL, desenvolvido desde o início pela técnica e esforço de pesquisa da Petrobras para suprir o Brasil de petróleo.

Ao lado desses prejuízos notórios há muitos outros. A quebra ou inviabilização de
grandes construtoras e estaleiros, a transferência para o exterior de todas as encomendas de equipamento da Petrobras, na linha “preferência pelo estrangeiro” em qualquer compra de qualquer natureza – toda uma visão esquizofrênica antibrasileira e pro-estrangeiro DERIVADA DA IDEIA ANTI-CORRUPÇÃO, cuja resultante foi a colocação de um notório privatista na sua presidência, como resposta à campanha de estigmatização da empresa.

OS ESTADOS NA LAVAGEM DE DINHEIRO

Grandes estados com interesse geopolítico global operam fundos encobertos para pagar
operações especiais. A célebre operação IRÃ-CONTRAS, no segundo Governo Reagan, foi um complicado negócio envolvendo venda de armas ao Irã, que estava sob embargo resultante da  invasão da Embaixada americana e o produto da venda destinado aos “contras”, milicianos que lutavam contra o domínio sandinista na Nicarágua, operação organizada pelo NSC, o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca – toda a operação clandestina do começo ao fim, sem passar pelo orçamento dos EUA, mas sob controle da Casa Branca.

A invasão da Baia dos Porcos em 1961, em Cuba, foi financiada com dinheiro de origem
mafiosa numa operação organizada pela CIA, invasão que fracassou. Os mafiosos americanos controlavam o jogo e a prostituição em Cuba e se aliaram à CIA para uma tentativa de retomada de Cuba –  o Estado americano esteve aliado a grupos criminosos como na Sicília em 1943.

Mas a maior operação de lavagem de dinheiro praticada pelo Governo americano foi o
financiamento do Vaticano no final da Segunda Guerra e nas três décadas seguintes. Com o conflito na Itália entre 1943 e 1945, no quadro maior da Segunda Guerra, o Estado do Vaticano perdeu sua renda imobiliária que mantinha sua estrutura.

No final da guerra, em maio de 1945, a Itália, especialmente no Norte, viu um grande crescimento do Partido Comunista Italiano, o maior do Ocidente. Os Estados Unidos se preocupavam com a hipótese da Itália cair sob domínio comunista e somente o prestígio da Igreja poderia enfrentar essa ameaça.

Allen Dulles, então chefe do OSS, escritório antecessor da CIA, arquitetou com o Vaticano a criação do Partido Democrata Cristão, que se tornaria o maior da Itália e a barreira contra o crescimento do PCI. Para financiar esse projeto, a CIA montou um esquema de financiamento do Vaticano e deste para o Partido Democrata Cristão, que começava na Arquidiocese de Chicago destinando doações para o Vaticano, os recursos na realidade vinham de fundos da CIA.

Para operar o sistema foi criado o IOR-Instituto de Obras Religiosas, conhecido como o “Banco do Vaticano”, sob a direção do Arcebispo Marcinkus, da Arquidiocese de Chicago, e foi esse o canal financeiro que construiu o partido que governou a Itália por boa parte da segunda metade do Século XX.

Outra operação com dinheiro de origem não oficial organizada pela CIA foi o
financiamento da Organização Gehlen, uma vasta rede de espionagem dentro da antiga URSS herdada do serviço de inteligência do Exército alemão e chefiada pelo general do Terceiro Reich Reinhard Gehlen, com mais de 1.000 agentes operando na União Soviética. O financiamento vinha de fundos secretos da CIA, sem registro, e durou por boa parte do período da Guerra Fria.

Operações com dinheiro encoberto foram usadas em larga escala na invasão e ocupação
do Iraque pelos serviços de inteligência americanos, conforme já relatei em artigos
específicos quando foram usados intensamente bancos de Beirute e tradings polonesas como dutos de recursos para pagamentos dentro do Iraque.

O DESASTRE BRASILEIRO NO ACORDO DE COOPERAÇÃO JUDICIÁRIA COM OS EUA

Um dos atos governamentais mais desastrosos da Historia brasileira foi a assinatura pelo governo FHC de um “acordo” judiciário com os EUA, em 2001. Pode-se dizer, sem chance de erro, que esse acordo é o ninho da cruzada moralista e, por tabela, a semente da liquidação da PETROBRAS e da alienação do pré-sal.

O enfraquecimento da PETROBRAS, submetida a extorsões sob pretextos de prejuízo a acionistas americanos, infringência a leis americanas anticorrupção e outras sangrias sem fim já na casa dos bilhões de dólares, mais a colocação de “monitores” americanos, indicados pelo Departamento de Justiça em Washington, DENTRO da Petrobras para controlar suas operações, tudo isso ocorreu com base nesse fatídico Acordo de 2001, guarda chuva da cruzada moralista anticorrupção (na realidade, uma operação de grande porte disfarçada de “causa” para submeter o Estado brasileiro sob o manto do moralismo aplicado à politica, um instrumento tóxico pelos danos que causa à força do Estado).

Ao levar documentos e provas contra a PETROBRAS ao Departamento de Justiça para que este processasse a PETROBRAS, ao permitir que promotores americanos viessem ao Brasil interrogar delatores brasileiros, INOMINÁVEIS AGRESSÕES foram cometidas contra o Estado brasileiro, seus interesses estratégicos, seu patrimônio e seu projeto geopolítico natural.

O Brasil e sua população pagam hoje com desemprego, e pagarão no futuro com imensa
perda de riquezas e patrimônio nacional, a leviandade com que o Poder Executivo e o Congresso brasileiro sem qualquer escrutínio de interesse nacional aprovaram esse absurdo “Acordo” sem nenhuma lógica em torno de algum objetivo estratégico para o Estado brasileiro – acordo onde só o Brasil gera benefícios aos EUA e de lá não vem  benefício algum ao Brasil, servindo de cobertura para intromissão de Washington em assuntos brasileiros sem que reciprocamente o Brasil possa fazer o mesmo, como se viu no caso dos pilotos do Legacy, onde o tal Acordo não serviu para nada, porque ele não atua onde há interesse dos EUA.

O Acordo de 2001, assinado por Fernando Henrique Cardoso e Celso Lafer, é, na
realidade, uma operação de projeção de poder dos EUA, como foi a operação de salvamento financeiro do Vaticano ou o conjunto de operações que levaram à invasão do Iraque em 2003. Seus frutos finais atingem a PETROBRAS e o pré-sal, entre muitos outros resultados.

A PRESENÇA GEOPOLÍTICA DO BRASIL NA ÁFRICA

De todos os grandes países com potencial de ação internacional, o Brasil é o mais natural parceiro da África, pela sua diversidade cultural, étnica, religiosa, pela facilidade de
convívio de seu povo com outras culturas. O Brasil é, especialmente, bem recebido nos países africanos, o que de forma alguma acontece com nossos concorrentes na área – os chineses, indianos, malaios, povos étnicos, com culturas fechadas, que não convivem bem com outras culturas e povos, não estão acostumados como os brasileiros à mescla de civilizações e hábitos.

Os chineses são recebidos hoje na África por falta de opção, mas o Brasil tem vantagens
únicas para atuar no campo de obras públicas e grandes projetos no continente africano.
Enquanto no canteiro de obras de empreiteiras brasileiras há jogos de futebol com os locais, todos participam e se confraternizam, nos canteiros chineses, turcos, indianos isso é praticamente impossível. Não se misturam, têm hábitos e costumes fechados, não mudam, são guetos implantados, a comida tem que ser importada, não há LIGA com a população local.

Pela mesma razão, forças armadas brasileiras são as preferidas para as missões de paz da ONU, são as mais bem recebidas em qualquer lugar e, por sua vez, se sentem bem em todo lugar.

AS EMPRESAS “BRAÇO LONGO”

Os grandes países usam empresas como braços de projeção de poder. O mundo se acostumou a ver a Standard Oil, a Texaco, o City Bank, a Pan American, a IBM e a ITT como braços do governo dos EUA. Funcionavam não só como empresas comerciais, mas tinham também papel diplomático, de espionagem, de penetração estratégica. A Inglaterra tinha essa relação com a Shell e a Unilever, a Alemanha com a Siemens, a França com a Schneider, a Rhodia e a Cegelec.

A empresa estratégica do Brasil seria a Odebrecht, liquidada pela cruzada moralista, empresa que chegou a ter 10% do PIB de Angola e operações em 30 países – em alguns, como no Peru, era a maior construtora, o mesmo no Equador, Republica Dominicana, etc.

Na Segunda Guerra, foi a hoje extinta Pan American Airways quem construiu os
aeroportos que seriam as bases aéreas para a invasão da África do Norte pelo Exército
americano, atuando como braço longo do Governo dos EUA no Brasil.

Os grandes países expansionistas USAM essas empresas “LONG ARM”, braço longo do Estado, para pagar espiões, operações especiais, proteger aliados dentro dos países, financiar campanhas, providenciar empregos e exílios. TODOS os grandes países operaram suas relações internacionais usando empresas “braços longos” como INSTRUMENTOS de sua política externa para tarefas onde o próprio Estado não deve aparecer.

A Texaco foi fundamental para a vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola, fornecendo petróleo a crédito ao Exército nacionalista como braço longo do Departamento de Estado; a ITT foi fundamental na derrubada de Allende no Chile em 1973; a IBM ficou na Alemanha nazista até dezembro de 1941 como olhos do  Departamento de Estado, mesmo após dois anos de guerra na Europa.

O que fez o Brasil? Liquidou com suas empresas “ponta de lança” em nome da moral, pelo caminho liquidando os políticos que ajudaram as empresas e o Brasil em projetos brasileiros em seus países, que abriram as portas ao Brasil e seus negócios e interesses. Nenhum País faz isso, perseguir suas próprias empresas no exterior. São armas nossas, todos vestem a mesma camisa. Se alguém quiser investigá-las, que sejam os países prejudicados e não o país sede da empresa.

Isto é algo tão absolutamente óbvio que custa a crer tenha ocorrido com o Brasil, onde empresas brasileiras são DENUNCIADAS por procuradores brasileiros aos seus colegas do país anfitrião. Mas com que interesse do Brasil? Não é possível descobrir. Não consta que o governo do EUA faça o mesmo com suas multinacionais no Brasil – ele as protege em qualquer circunstância, aliás é uma das principais funções da diplomacia americana em todo o mundo.

Será, historicamente, incalculável o prejuízo do Brasil ao cortar a ação de suas empresas
de engenharia no exterior em nome do moralismo, assim como foi uma tragédia para a
diplomacia brasileira a queda de um Presidente do Peru, país vizinho, estratégico e
importantíssimo para o Brasil, por denúncias vindas do Brasil.

O que ganhou o Brasil com a queda de Pedro Pablo Kuczinsky? Nada, mas perdeu projeção de poder no Peru pelos próximos 30 anos. Como é possível o Estado brasileiro ter permitido isso? Não há resposta.

AS ‘CAUSAS’ COMO ARMAS DA POLITICA

As causas morais de todos os tipos, humanitárias, ecológicas, anti-corrupção, de direitos
humanos, religiosas, servem como ARMA POLÍTICA sob a capa da virtude. Uma histórica grande “causa” usada como arma política foi a das CRUZADAS, verdadeiras operações de saque e tomada de território sob a capa de “reconquista dos lugares santos”.

A partir da Era dos Descobrimentos e depois na Era das Colonizações, a pregação religiosa foi usada largamente como aríete de conquista de terras e riquezas. A bandeira era a “conversão dos infiéis”, o alvo real era a pura e simples busca do ouro em todas suas formas.

Parece incrível que ainda hoje não se entenda o uso claro e à luz do dia de “causas” como peças do jogo político e não da propagação da virtude e da pureza moral.

Através dos tempos, o resultado final das lutas por ‘CAUSAS”, tem tido um saldo
desastroso. O rescaldo dos destroços deixados por essas lutas custa muito caro na História.

A LEI SECA Americana, assinada pelo Presidente Woodrow Wilson em 1919, o primeiro Presidente “politicamente correto” dos EUA, não reduziu o alcoolismo e, ao criar o espaço para o contrabando de bebidas, fez a fortuna e o poder da MÁFIA no País. O saldo da CAUSA moral foi o pior possível, como costuma acontecer por toda a História.

“Causas morais” não podem reger a política de um grande Estado, é a lição da Historia.
Ao se intrometerem na POLÍTICA, causam imensos estragos, outra lição da História.
O ambiente da política nacional e internacional NÃO é puro e nunca foi por toda a
História conhecida. Ao tentar purificá-lo matam-se os germes ruins e os bons juntos. No ambiente asséptico nasce um germe novo muito mais agressivo, a terceira lição da História.

Eleições 2018: PSB, a dama mais desejada do País

12 de julho de 2018

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Renato Casagrande lucra, e muito, com a saída de Paulo Hartung do páreo

A história não é de hoje. A política estadual vincula-se à nacional, principalmente quando se trata de eleições majoritárias simultâneas para o governo, o Senado e a Presidência da República.

A confusão política provocada no Espírito Santo pela desistência do governador Paulo Hartung (MDB) de concorrer à reeleição tem razões mais profundas do que a justa preocupação do avô em acompanhar a vida do neto que nasceu há poucos meses.

Basta ter um pouco de lembrança do que aconteceu nas eleições no Estado nos últimos 10 anos e acompanhar o noticiário político da mídia nacional para perceber que o PSB é a dama de companhia mais desejada para as eleições nacionais de 2018. E quem é um dos personagens mais importantes do partido em nível nacional?

Renato Casagrande já vinha nadando de braçadas nas intenções de votos das pesquisas dos últimos meses, depois de passar os últimos três anos e meio com número de seguidores nas redes sociais na proporção de dois por um em relação ao seu desafeto, Paulo Hartung, que o tempo inteiro se esforçou para desconstruir a imagem de seu antecessor, sem êxito.

Não bastasse isso, o governo ainda enfrentou sérios desafios, notadamente na segurança, com a greve da Polícia Militar em fevereiro de 2017 e que, no imaginário popular, ficou na conta da má condução do Executivo. E próprio desafio pessoal com sua saúde fez o governador ausentar-se mais do que costuma fazer.

O Espírito Santo tem pouco peso político no cenário nacional, mas é uma boa moeda de troca na hora das barganhas. Já foi assim na reeleição de João Coser, em 2008, para prefeito de Vitória, quando o próprio Paulo segurou seu candidato e contemplou-o depois no Governo. E foi assim também em 2010, quando o beneficiado foi Renato Casagrande, por conta de uma barganha nacional envolvendo PT e PSB.

A campanha oficial é curta e Paulo esticou a corda o quanto pôde. Agora, é salve-se quem puder. Ricardo Ferraço (PSDB) e Amaro Neto (PRB) não têm a menor vontade de entrar nessa bola dividida e quem, mais uma vez, vai para o “sacrifício” é o vice-governador César Colnago.

O projeto, que ninguém duvide, é de palanque para Geraldo Alckmin (PSDB). Embora com índices ainda muito baixos, os tucanos costuram alianças por todos os lados para mover mundos em favor de seu candidato. Marina (Rede) é solenemente ignorada. Desidrata a si mesma. O desidratável é Ciro Gomes (PDT).

A mula, se estava em pelo, agora passa arreada para Casagrande no Espírito Santo.

 

Eleições 2018: todas as apostas de Hartung

11 de julho de 2018

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Governador Paulo Hartung, do Espírito Santo, cumpre seu terceiro mandato no cargo

O governador Paulo Hartung não é candidato à reeleição. É a notícia do dia. Eu gostaria de ter uma bola de cristal para adivinhar o que vem por aí. Como não a tenho, faculto-me o direito de exercitar a futurologia.

Primeiro, trata-se do político contemporâneo mais inteligente do Espírito Santo. Uma inteligência desenvolvida ao longo de quase seis décadas – acho até que Paulinho alfabetizou-se lendo Maquiavel. Infelizmente, ele não tem obras escritas para que possamos entender suas ideias, mas podemos entendê-las a partir do que ele lê (Golbery, intelectual do regime militar, já ensinou isso).

Paulo Hartung ensaiou entrar no tabuleiro político. Sentiu que, pela primeira vez, corria o risco real de perder um confronto direto e resolveu sair do tabuleiro para jogar nele, com outras peças. Somente um neto para aplacar o desejo de poder de um homem.

Os efeitos imediatos de suas jogadas apresentam-se, relativamente, simples: diz que não indica ninguém, mas, indiretamente, empurra Ricardo Ferraço para disputar o governo e encaixa seu escolhido Amaro Neto para o Senado, numa pule de dez em dobradinha com Magno Malta (ou outro nome no mesmo espectro, se o atual senador aventurar-se numa vice de Bolsonaro). Os fins justificam os meios, máxima de Nicolau.

Isto feito, se Ricardo ganha, ele, Paulo, ganha. Se Ricardo perde… “é um candidato muito pesado”. Mas, a vaidade e o populismo, este condenado no discurso de Paulo para o cenário nacional, pode ganhar força no cenário estadual e a cabeça de chapa se inverter com Amaro. O que virá?

O que poucos percebem é o movimento “secreto” de Paulo: construir, em consonância com Fernando Henrique Cardoso, um palanque forte para Geraldo (o Alckmin), do PSDB, para a Presidência da República no Estado. E, livre da caça de votos estaduais, correr o Brasil como símbolo da competência administrativa e do equilíbrio fiscal.

Todos contra Bolsonaro, o tucano Geraldo Alckmin é a alternativa do mercado e do grupo antilula e antipopulismo. Uma vez decifrada a equação eleitoral, Geraldo no Palácio do Planalto é Paulo Hartung no poder, como grande eminência, nem tão parda.

Partindo-se daí, ainda com muita lenha para queimar, Paulo Hartung não está se aposentando da política, mas planejando o voo que sempre desejou. Quem viver, verá. A menos que o cenário mude, baixe nele o espírito de Pedro I, e, neste caso, ele, que foi formado nas hostes do antigo Partidão e namorou até o DEM, sucedâneo da Arena, partido de sustentação da ditadura militar, não terá a menor dificuldade em, napoleonicamente, traçar uma nova estratégia para evitar a sua Waterloo.

José Caldas da Costa é jornalista há mais de 40 anos, analista político e social

 

A reforma da Previdência do Temer

27 de março de 2017

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Foto: Fernando Young

José Caldas da Costa

Leio coisas as mais díspares sobre a tal reforma da Previdência do Temer. Nem entro nessa questão de golpismo ou não golpismo para que ele chegasse aonde chegou, ou da legitimidade de seu Governo, uma vez que era o vice-presidente constitucional.

Posso duvidar, entretanto, que ele tenha chegado “limpo” em meio ao mar de lamas que cerca a política nacional, notadamente a partir de 1996, quando foi aprovada a emenda da reeleição.

As contas feitas pelo Governo para nos provar que precisa fazer a tal reforma não batem com outras contas, como, por exemplo, a capitalização de nossas contribuições ao longo de 30 a 40 anos e o valor que, efetivamente, vamos receber no que nos resta de vida, a partir da aposentadoria.

Parece-me, e não estou fazendo piada, que essa gente do Governo atual agradece aos céus quando alguém morre até os 74 anos, expectativa de vida atual do brasileiro. Quero avisar que, se depender de mim, vão ter que me aturar até os 150 anos, lúcido e espezinhando com minhas postagens nas redes sociais e, se me derem chance, em espaços como este aqui.

A última que ouço é do confisco das pensões por viuvez. Imaginem meu exemplo: casei com 22 anos, estou fazendo 35 anos de união – com a mesma mulher. Eu me aposento, minha mulher se aposenta e, finalmente, vamos poder viver um pouco com o fruto de nossas contribuições para o Fundo da Previdência.

Nossas contas do tempo de contribuição nunca batem com as deles, porque muitas vezes somos ludibriados, ao longo do caminho, por gente inescrupulosa, que não cumpre com suas obrigações legais e prejudica o final de vida dos outros. Mas deixa que eles se acertam com o tribunal divino, já que conseguem evitar os tribunais humanos.

Muito bem. Eu e minha mulher juntamos nossas aposentadorias e vamos viver mais tranquilos, num canto qualquer. Bato as botas, como dizia minha mãe, e minha mulher não mais vai receber minha pensão? É isso mesmo que ouvi? Que dona Euzi vai ter que optar pela aposentadoria dela, bem menor, ou ficar apenas com 70% da minha. Não querem que a aposentadoria do viúvo se acumule com a pensão oriunda da aposentadoria do falecido.

Olha, acho que Hitler, antes de morrer na Alemanha, andou fazendo filhos por aqui, porque isso é pior do que nazismo ou limpeza étnica. O sistema, através de seus subjugados, trata de se livrar do entulho social, dos que “não produzem mais”. Isso é ético?

Tenho que conviver com a desfaçatez de um megaempresário confessar, perante a Justiça, que sua empresa corrompe agentes públicos desde que o mundo é mundo e sai de lá rindo da nossa cara.

Agora, convenhamos: roubaram não apenas nosso ouro, nossas florestas, o dinheiro gerado pelo petróleo, o dinheiro produzido pelas mais altas, repugnantes e indecentes alíquotas de impostos do mundo (sem retorno em serviços). Roubaram nossa inocência, nossa dignidade e agora querem roubar nossa vida.

E imaginar que essa gente saiu dentre nós e escolhida por nós. Escolhemos igualzinho a gente escolhia os grãos brocados de café nos imensos tabuleiros de madeira dos enormes armazéns de minha já distante infância na minha Alegre, na região do Caparaó.

A diferença é que nos tabuleiros de cata de café a escolha era para descartar, mas nas urnas a escolha é para destacar e nos comandar. Que lástima!

José Caldas da Costa é jornalista e geógrafo

(Artigo publicado na coluna Tribuna Livre, de A Tribuna (ES), edição de 25.03.2017)

Crise na segurança do ES: acordo fechado, ferida aberta

10 de fevereiro de 2017

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A população saudou com fogos de artifícios o anúncio do fechamento do acordo entre o Governo e as associações representativas de policiais militares e bombeiros militares do Espírito Santo na noite desta sexta-feira (10), para encerrar a paralisação nos quarteis, que completou sete dias (na foto de Fred Loureiro, da Secom-ES, chegada de tropas da Aeronáutica ao Estado).

Na noite anterior, em vários pontos da cidade, ouviram-se gritos e bater de panelas em protesto contra o governador Paulo Hartung (PMDB) durante sua entrevista à jornalista Miriam Leitão, na Globo News. Ou seja, o acordo foi fechado, mas a ferida no relacionamento do Governo com a categoria militar continua aberta. Mais que isso, é uma fratura exposta.

Ficaram muitos ressentimentos com a forma como as negociações foram (ou deixaram de ser) conduzidas. A crítica generalizada é de que o Estado demorou demais a encontrar um caminho para o desfecho, permitindo o genocídio dos últimos dias, quando já se contam 138 mortes.

A rigor, somente houve avanço quando as negociações deixaram de ser feitas pela cúpula de Segurança e passaram para as mãos de uma comissão tendo à frente o secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, que é diplomata de carreira, acostumado a grandes tensões, e mais três secretários: Júlio Pompeu (Direitos Humanos), Eugênio Ricas (Controle e Transparência) e Paulo Roberto Ferreira (Fazenda).

O acordo desta sexta-feira foi assinado por esses quatro secretários e pelos representantes das entidades: major Rogério Fernandes Lima (Associação dos Oficiais Militares – Assomes), Renato Martins da Conceição (presidente da Associação dos Cabos e Soldados – ACS), sargento Sérgio de Assis Lopes (Associação dos Bombeiros Militares), e Capitão Paulo Araújo de Oliveira (Associação dos Subtenentes e Sargentos e da Polícia e Bombeiros Militares do Espírito Santo – Asses).

EXPECTATIVA

O desfecho dessa história, entretanto, ficou  para a a manhã deste sábado (11), pois o acordo prevê a desocupação do acesso aos quarteis pelas mulheres e o retorno ao trabalho de toda a tropa às 7 horas da manhã. Policiais contrários ao fim do movimento bombardearam as redes sociais com informações de que não havia acordo, porque o comando é das mulheres.

“As esposas de militares não estão sujeitas ao regimento militar. São os membros da corporação que podem ser punidos e até expulsos caso mantenham o motim e a revolta militar, por isso chamamos as associações de classe para conversarmos e fechamos o acordo com essas entidades, que, agora, estão incumbidas de convencerem os familiares a desocuparem os acessos aos quarteis”, disse o secretário Júlio Pompeu, após a assinatura do acordo, que não foi reconhecido pelas mulheres dos militares.

Em relação à última proposta que havia sido apresentada pelo Governo na madrugada, quando as mulheres deixaram o Palácio da Fonte Grande chorando, depois de 11 horas de reunião, a grande novidade foi a cláusula que prevê a possibilidade de uma proposta de aumento salarial, após análise do balanço financeiro e fiscal do Governo ao final do primeiro quadrimestre de 2017. Benefício que seria estendido a todo o funcionalismo.

O acordo prevê, ainda, que todos os militares que comparecessem ao trabalho na manhã deste sábado não sofrerão punições de qualquer natureza – não fala em isentar de punição os 703 policiais já indiciados por revolta militar, como anunciado pela manhã pelo secretário de Segurança, André Garcia, ao lado do comandante geral, coronel Nylton Rodrigues.

Não há previsão de se poupar as mulheres de serem processadas. Esta é uma conversa que deverá ser conduzida pela Assembleia Legislativa, a quem competirá também ser a caixa de ressonância das demandas da categoria e cobrar do Governo, assim como toda a sociedade civil, o cumprimento das promessas feitas.

Neste sábado, uma comitiva federal, composta pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pelo ministro da Defesa, Raul Jungman, e pelo Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen, e pelo representante do Ministério da Justiça passou o dia no Estado para acompanhar o desfecho da crise da segurança, que projetou o Espírito Santo e o Brasil, negativamente, no mundo inteiro, e parece se espalhar como um rastilho de pólvora por outros Estado.

Justamente por este último aspecto, houve uma demanda por uma manifestação do Presidente da República, Michel Temer, que, finalmente, nesta sexta-feira (10) se pronunciou sobre a crise, condenando a paralisação da Polícia Militar do Espírito Santo, enquanto a população tenta voltar à rotina, com o respaldo de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional, que somente deverão deixar o Estado quando houver completa garantia de restabelecimento da normalidade.

PRISÃO DOMICILIAR

O capixaba amargou uma semana de “prisão domiciliar” e tentou voltar à normalidade no sábado, mas ainda com uma certa desconfiança, diante da permanência das mulheres na frente dos quarteis e da guerra de informação e contra-informação que tomou conta das redes sociais.

No final do sábado, policiais militares foram vistos em vários pontos da Grande Vitória, para atender a uma nova convocação do Comando Geral. Mas quem disse que a situação é normal?

O movimento perdeu ótimas oportunidades de recuar, estrategicamente, para manter a opinião pública ao seu lado, e o Governo agiu muito mal, com ranços de autoritarismo e usando, até certo ponto, requintes de crueldade com seus comandados. Restou uma tropa desmotivada, insatisfeita e estressada.

A sociedade ficou refém da birra das manifestantes e da pirraça do governador. Um prato feito para quem aprecia o autoritarismo, mas foi preciso correr para os braços do Governo Federal e uso da força coercitiva do poder político para por relativo fim à paralisação, que começou há oito dias.

O sangue das 138 vítimas da ausência de segurança pública e das futuras vítimas do estresse psicológico, que se abate sobre a Polícia Militar, escorrerá pelas entranhas do Palácio Anchieta. Que não nos esqueçamos disso.